sábado, setembro 09, 2017

Política da mentira

Um dos aspetos mais curiosos da vida política portuguesa reside no fato de uma boa parte dos intervenientes filtrarem as suas ideias, escondem as suas ideologias, em vez de dizerem o que pensam dizem o que é vendável ou o que os outros esperam ouvir. Passos Coelho não é da extrema direita chique, é social-democrata. Os do BE não são trotskistas, marxistas-leninistas ou maoistas, são de tudo um pouco e usam bandeirinhas de todas as cores. O PCP detesta ditaduras e é o maior defensor da democracia. Os do CDS são todos republicanos.

Todos sabemos que tudo isto é mentira, mas andamos a fazer de conta que não sabemos. A esquerda conservadora detesta a ditadura do proletariado, não há extrema-direita porque a direita ou defende os valores da igreja católica ou é social-democrata. E quando alguém diz alguma coisa que passa dos eixos ouvem-se muitos gritinhos de indignação.

Animado pela grande vitória na Autoeuropa e pelos testes nucleares bem-sucedidos na Coreia do norte, Jerónimo de Sousa deixou o pé fugir para a dança e foi à Festa do Avante fazer um discurso inflamado de defesa implícita da Coreia do Norte, as massas aplaudiram como se estivesse a libertar algo que lhe ia na alma e andava reprimido. De certa forma foi positivo, é tempo de o PCP assumir todas as suas ideias e deixar-se de vidas duplas. É tempo do PCP tirar o comunismo do armário e deixar de recear concorrer às eleições com a sua sigla.

Os campeões da farsa é o BE, quem os ouve até aprece que são uma espécie de Provedor Remédios da democracia. De um dia para o outro o estalinismo, o trotskismo e o maoísmo não só de uniram, como dessa união resultou um novo produto destilado, defensor como ninguém da democracia e de tudo o que seja bons valores, desde a eutanásia á defesa da homossexualidade. Até aqueles que eram considerados lumpen proletariado, são agora espécies que merecem a defesa da sociedade.

Às mentiras típicas da vida política junta-se este jogo de sombras onde cada político e partido não diz o que pensa nem pensa o que diz. É um mundo de mentira e de faz de conta, sem debate de ideias, onde tudo são rasteiras e simulações. De certa forma o discurso de Jerónimo de Sousa na Festa do Avante devia merecer um grande elogio, foi dos poucos políticos portugueses que alinhou o discurso com o pensamento.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Juízes portugueses

Parece que estamos no PREC, desde a famosa greve do Almirante Pinheiro de Azevedo que não se via nada assim, os juízes que estiveram de bico calado com Passos Coelho querem agora ser os primeiros a serem servidos pelo pote, ante que o mel acabe. Por este andar Portugal começa a parecer a Venezuela.

«Os juízes marcaram greve para dias 3 e 4 de outubro, anunciou esta sexta-feira a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), confirmando uma intenção que já era conhecida. O facto de a greve dos magistrados estar marcada para os dias a seguir às eleições autárquicas inviabiliza a validação dos resultados eleitorais que iria ser feita nesses dias e pelos juízes, segundo o que prevê a lei eleitoral autárquica.

A presidente do sindicato, Manuela Paupério, disse que a greve vai servir para demonstrar o protesto dos juízes contra o facto de o Governo se "mostrar intransigente" nas negociações para a revisão do estatuto dos magistrados judiciais. "Não aceitamos que assim seja", adiantou.

Em comunicado, a direção da ASJP alega que o "Governo se mantém irredutível e não discute com os juízes o Estatuto na sua integralidade".» [DN]

      
 O preço do sucesso comercial fácil?
   
«Salários baixos. Contratos maioritariamente temporários, quase sempre de três ou de seis meses. Sazonalidade. Jornadas laborais de 60 horas semanais. Contínuas. Folgas em plano b. Dormidas a bordo em espaços exíguos, sem privacidade. Refeições feitas de restos. O cenário é traçado pela Plataforma Laboral e Popular (PLP) - e corroborado por vários trabalhadores e ex-trabalhadores dos barcos turísticos do Douro, ainda que sob anonimato. Fala mais alto o medo de represálias e das portas do turismo fechadas para sempre. Amanhã, nos cais de Gaia (10h) e do Porto (15h), a plataforma criada em 2016 manifesta-se e tenta uma “organização dos trabalhadores” para combater “a vergonha da precariedade”. Afinal, o que esconde o glamoroso negócio de milhões dos barcos do Douro?


O turismo fluvial chegou ao rio nos anos 90 — e em quase três décadas não há registo de manifestações com impacto ou greves entre os trabalhadores. Sinal de paz a bordo? Não, responde Gonçalo Gomes, porta-voz da PLP e ex-trabalhador de três empresas de passeios fluviais: consequência de “um clima de medo” instalado. Por causa dele, a plataforma “não conta com muita adesão” na manifestação deste sábado, uma primeira tentativa de fazer sair o tema da sombra. Mas acredita que, aos poucos, mais gente se juntará. “O meu caso é paradigmático. Queriam-me fora do rio e a verdade é que conseguiram. Mas calar-me não”.» [Público]
   
Parecer:

Ao ritmo que este empresário tem enriquecido deverá existir uma fórmula mágica.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»
  
 PSD anda nos caixotes
   
«Num requerimento hoje entregue na Assembleia da República, os deputados do PSD dizem estar cientes que "a reorganização da rede é um processo dinâmico, que acompanha a evolução demográfica nacional e a construção de centros escolares", e que se deve pautar "exclusivamente por critérios de clara melhoria das condições de ensino dos alunos".

"Significa isto que o processo de reorganização da rede, que por vezes origina contestação local, deve ser transparente e público, não podendo haver qualquer suspeição ou dúvida sobre os critérios que subjazem à decisão", salientam os sociais-democratas.

No requerimento, assinado pelo vice-presidente da bancada do PSD com o pelouro da educação Amadeu Albergaria, é sublinhado que o anterior Governo "sempre pautou a sua atuação pela total transparência", ao contrário da atual tutela.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Sem melhores ideias o PSD vai ao caixote do lixo procurar matéria para se entreter. Isto de os incêndios terem acabado vai lançar a direita numa crise de ideias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Um Steve Jobs tuga
   
«António José Alves da Silva, o revisor oficial de contas (ROC) que comprovou que a Yupido valia 28,8 mil milhões de euros no último aumento de capital da empresa, disse ao Observador que, quando viu a imagem da “televisão” que os fundadores e um grupo de técnicos lhe mostraram, lembrou-se logo de Steve Jobs. Não tem dúvidas de que vai “revolucionar o sistema”.

O que me motivou para fazer esta avaliação foi olhar para aquilo e sabe de quem me lembrei? Lembrei-me de Steve Jobs. Foi quase a mesma coisa”, disse. Questionado sobre se acha que a Yupido pode ser tão disruptiva como foi a Apple, Alves da Silva respondeu que sim.
O ROC tem mais de 50 anos de carreira, é consultor da sociedade de advogados Rogério Fernandes Ferreira & Associados e é reconhecido pelos seus pares como um dos profissionais mais respeitados da área. Ao Observador, explicou que foi contactado apenas para fazer a avaliação do bem, mas que não podia revelar “os caminhos que seguiu para chegar aos 28,8 mil milhões” porque tinha assinado um compromisso profissional de sigilo.» [Observador]
   
Parecer:

Uma anedota. Viu uma televisão, gostou da imagem e avaliou o capital em mais de 28 mil milhões de euros!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

sexta-feira, setembro 08, 2017

Cativações


O que une Passos Coelho e Catarina Martins? As cativações, um mecanismo contabilístico que permite aos governos gerirem a despesa pública, ajustando-a às possibilidades financeiras do Estado. E o que pretendem Passos Coelho e Catarina Martins? Passos Coelho quer que se alguma coisa vier a correr mal do lado da receita, o governo seja impossibilitado de compensar com um corte de despesa, de forma a que se abra a porta ao tão desejado diabo. Catarina Martins quer que a despesa seja rígida, sem qualquer possibilidade de redução, ajudando Passos Coelho a abrir a porta ao mafarrico.

O tal senhor do rigor, do controlo das gorduras, dos tês orçamentos retificativos por ano, quer agora que aconteça o que acontecer o governo seja obrigado a gastar o que tem e o que não tem. Como o exercício de 2016 correu bem porque o ministro das Finanças ajustou a despesa em função das receitas, de forma a cumprir com os compromissos internacionais, o líder do PSD achou boa ideia retirar ao governo esse instrumento de gestão.

Passos Coelho estudou apenas a evolução das receitas, sabia que o OE para 2016 estava armadilhado por via das retenções da fonte do IRS e aos reembolsos de IVA que ficaram por fazer em 2015. Por isso andou os primeiros sete meses de 2016 a exibir pelo país a pantomina do primeiro-ministro no exílio.  Estava certo de que Paulo Núncio tinha deixado a armadilha bem montada, agosto seria o mês do buraco financeiro, setembro seria o da divulgação desse buraco e, muito provavelmente, o do segundo resgate.

Passos foi à lã e estava tão descansado e certo do buraco nas contas públicas que acabou por ser tosquiado, Centeno sabia da sua artimanha e não só cumpriu com o défice de 2015 como compensou as vigarices da equipa de Paulo Núncio com um controlo da despesa. Fê-lo da forma que todos os ministros das Finanças fazem, impedindo os serviços públicos de fazerem despesas não urgentes, limitando os dinheiros orçamentados através das cativações. É assim que se controla a despesa, por exemplo, no tempo de Ferreira Leite as cativações obrigaram muitos funcionários a trazer o papel higiénico de casa, sob penha de terem de limpar o rabo a folhas de papel A4.


Agora Passos parece um genro que espera que a sogra morra num acidente rodoviário para receber a herança. Mas como a senhora, apesar do excesso de velocidade consegue evitar os acidentes usando o travão, o genro descobriu que o automóvel da sogra não deve ter travões, assim é tudo honesto, se a senhora anda depressa deve ir contra uma parede. O estranho de tudo isto não está na esperteza saloia de um líder partidário que enquanto gente está em Massamá, mas como político já reside no Cemitério dos Prazeres. O ridículo de tudo isto está no facto de a mecânica que vai tirar os travões ao carro da sogra ser a Catarina Martins.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, a maluquinha dos metropolitanos

Assunção Cristas retoma a argumentação de Passos Coelho e insiste que o PETI, aprovado exclusivamente pelo PSD e CDS resulta de um consenso, só porque sobre o mesmo a oposição foi ouvida no ministério da Economia. Com este truque Cristas quer que o PS governe com o seu próprio programa e como se isso não bastasse acrescentam mais uns quantos projetos que se esqueceu de apresentar quando estava no governo. Cristas ´+e cada vez mais a maluquinha dos metropolitanos e anda a enganar as populações com propostas de obras megalómanas, só para conseguir votos.

«A presidente do CDS-PP desafiou esta quarta-feira o Governo a cumprir os consensos em torno das obras públicas previstos no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI), aos quais acrescentou a expansão dos metros de Lisboa e do Porto.

“Há um consenso em matéria de obras públicas e esse consenso está vertido no PETI e está muito por cumprir, precisa de ser cumprido”, defendeu Assunção Cristas, numa conferência de imprensa na sede do CDS-PP, em Lisboa, respondendo à proposta do primeiro-ministro, António Costa, de consensos sobre obras públicas.

O CDS-PP vai entregar um projeto de resolução na Assembleia da República que, defendeu Assunção Cristas, reflete esse consenso já alcançado, durante o governo anterior, e ainda não concretizado, ao qual juntou a expansão dos metropolitanos de Lisboa e do Porto, que estava previsto naquele documento apenas como objeto de ponderação e análise.» [Expresso]

 Gente desonesta

Mesmo depois dos esclarecimentos dados pelas diversas entidades o Observador, o jornal extrema-direita chique, recorre a uma tal Maria João Marques para sugerir falsas acusações:

«Eu sei, eu sei: os milhões doados para alívio das vítimas de Pedrógão, de que o PS apressadamente se apoderou para distribuir como se fosse a generosa origem do dinheiro, estão em parte incerta» [Observador]

Esta é a escola de quem tem por diretor alguém que andou na escola do Voz do Povo.

 Tempos de fartura!



Quando li a notícia ia caindo de costas, como é que Passos Coelho teve a coragem de falar em emigração de portugueses? Afinal a preocupação fazia sentido, aquele que forçou os portugueses a sair em busca do que comer, receia agora que fujam porque não t~em onde colocar as poupanças. O Passos que fique descansado, com a livre circulação de capitais quem não souber o que fazer ao dinheiro pode colocá-lo lá fora cá dentro.

      
 O leitão foi indigesto? 
   
«O deputado socialista Francisco Assis anunciou, na noite desta quarta-feira, na despedida da Assembleia Municipal do Porto, que abandona, em definitivo a carreira política autárquica e, no final do mandato do Parlamento Europeu "provavelmente" a vida política. Assis lembrou ser apoiante de Manuel Pizarro nas autárquicas, mas deixou um rasgado elogio a Rui Moreira.

"Considero encerrada a minha vida política autárquica. Não voltarei a ser candidato a nenhuma autarquia, seja em que circunstância for", disse Francisco Assis, no início da sua intervenção, assumindo, pouco depois, que, em política, podem ocorrer "circunstâncias extraordinárias" que o obriguem a repensar esta posição, mas disse-se "convencido" de que tal não acontecerá.

Na despedida, houve elogios para todos os participantes na assembleia municipal, mas o maior foi mesmo para o actual presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira. "Apoio Manuel Pizarro", o candidato do PS, disse Assis. Mas continuou: "O doutor Rui Moreira foi um bom presidente da Câmara do Porto. Não tenho a mais pequena dúvida. Contribuiu para afirmar o poder autárquico local e a cidade do Porto. Creio que esta é a posição da maioria dos portuenses", disse. A intervenção prosseguiu com Assis a dizer esperar que, se Pizarro vencer as autárquicas de 1 de Outubro, exerça essas funções "ainda melhor'.» [Público]
   
Parecer:

Depois de ter chegado a dizer que representava a maioria do PS parece que Assis fáz um pré-anúncio da sua retirada, talvez na esperança de um gesto de Costa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, setembro 07, 2017

O suicida de Pedrógão Grande

Desde que os incêndios de Pedrógão ocorreram que o país tem assistido a uma catadupa de acontecimentos que nada têm que ver com a resolução dos problemas. O famoso assalto a Tancos ainda deu uma ou duas semanas de descanso a Pedrógão Grande, mas m al se percebeu que ali nada havia para explorar Passos e Assunção Cristas voltaram ao ataque.

Nos primeiros dias Cristas andou desaparecida e Passos ainda ensaiou uma postura de homem de Estado, visitou a Proteção Civil e poupou nas declarações. Poucos dias depois percebeu que podia fazer render as vítimas dos incêndios em seu favor e foi a correr para Pedrógão, ao que parece o candidato a autarca do PSD e senhor da Santa Casa local tinha boas novidades para o ajudar. Surge então a declaração de que alguns cidadãos se tinham suicidado, enquanto outros ficaram feridos por tentativas falhadas de suicídios. No mesmo momento em que contava a sua “boa nova” foi desmentido por um assessor, mas insistiu nas tentativas de suicídio que terá deixado feridos. 

A culpa dos suicídios foi a ausência do Estado, as vítimas dos incêndios estavam a suicidar-se porque não aparecia ninguém para os ajudar. Começou aqui a saga do argumento usado até á exaustão “o Estado falhou!”, argumento que foi promovido a estratégia política e usado em todos os domínios.

Depois da barracada dos suicídios Passos andou fugido e escondido durante uns tempos, até que surge outra oportunidade. Uma maluquinha de Lisboa andou a contar mortos e concluiu que teriam morrido quase cem pessoas nos incêndios de Pedrógão. Tal como a SIC em tempos acreditou num falso “assessor do FMI” que condenava a austeridade, Passos não hesitou em acreditar na maluquinha dos mortos. Durante dias o país suspeitou de que António Costa teria escondido mais de trinta cadáveres nos galinheiros dos perus de São Bento.

Desmontada a falsidade dos mortos, quando depois de muitos dias o MP se ter decidido a contar a verdade, apesar de todo o alarme público que tinha havido, Passos voltou para as suas ausências prolongadas dos últimos dois meses. Ainda ensaiou uma tentativa de dizer que a ajuda não estava a chegar ás populações, mas rapidamente se calou quando foi desmentido.

Agora Passos voltou a fazer surf à custa das vítimas dos incêndios, revelando uma grande irresponsabilidade e um total desconhecimento da situação pensou que o Governo estava a gerir mal os donativos dos portugueses para as vítimas dos incêndios. Deu mais um tiro no pé, pela enésima vez foi oportunista e falhou.

O que levará um líder de um grande partido a ser tão oportunista, não hesitando em aproveitar todos os boatos e mentiras de maluquinhas, revelando um total desconhecimento dos dossiers e um grande desinteresse pepa realidade, preferindo boatos e mentiras? Passos já fez tanta asneira neste dossier, apesar de todas as sondagens lhe sugerirem que tenha juízo e seja mais rigoroso, honesto e competente, que não se compreende esta fixação nos incêndios como se fossem a sua boia de salvação. Passos ainda não percebeu que não há incêndio que o salve.

Eleições na terra do Madurinho algarvio - os cartazes (2)




O cartaz engenhoricado pelo candidato Murta, o patriarca do principado do PS em Vila Real de Santo António é, no mínimo, enigmático, está cheio de mensagens que não se entende muito bem o que pretendem dizer.

O que pretenderá um candidato que já foi autarca durante tantos anos e cuja família já sofreu mais do que uma derrota, ao dizer "mudança sem medo"? Ora, se o candidato é sobejamente conhecido o que o levará a sugerir aos seus conterrâneos que "não tenham medo"? Se alguém sugere que não deve haver medo é porque acha que de alguma forma pode haver razões para isso.

Seria lógico que António Costa aparecesse em cartazes de Medina, em Lisboa. Medina foi o seu número dois e um apoio direto mais não significaria do que o renovar da confiança num candidato que só o é graças ao apoio do primeiro-ministro. Mas a que propósito António Costa só aparece e num único cartaz desta campanha autárquica e logo em Vila Real de Santo António? E quando o cartaz diz "juntos por Vila Real de Santo António" sugerindo que o "juntos" do título se refere aos rapazolas da imagem, pretende que António Costa vai ser conselheiro pessoal do Murta?

Outro aspeto curioso da selfie onde António Costa e Murta aparecem vestido de igual, como se fossem dois manos a caminho da missa são as sombras, porque não batem certo. Trata-se de uma imagem original ou de uma montagem. António Costa parece estar refastelado numa cadeira enquanto o Murta aparenta estar em pé, Se estão os dois sentados então estão tão juntinhos que em vez de cadeiras deveriam estar sentados num banco corrido. A face esquerda de Costa tem uma sombra que parece ser projetada por Murta, o que não faz muito sentido pois as testas denuncia que a iluminação é recebida de vários sentidos, o que deveriam eliminar as sombras. Por outro lado, o rosto de Murta está muito mais iluminado do que o de António Costa. 

Murta sentiu que sozinho tinha dificuldades e decidiu dizer aos seus conterrâneos "votem em mim que até sou tão amigo de Costa que fui o único candidato autárquico com que ele aceitou aparecer na fotografia". Enfim, uma mensagem demasiado pobre e desrespeitosa da inteligência dos eleitores. 



Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Manuel de Lemos, presidente das Misericórdias

Quando é que as Misericórdias vão fazer chegar a ajuda às vítimas dos incêndios?

«De acordo com os dados da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), a que a Lusa teve acesso, o valor total doado foi de 1.811.421,59 euros, 1.001.191,09 euros dos quais através das chamadas de valor acrescentado no decorrer do concerto solidário "Juntos por Todos", a 27 de Junho, no Meo Arena, em Lisboa.

Neste fundo entram também 467.949,98 euros de particulares e empresas, 330.650 da venda de bilhetes para o concerto "Juntos por Todos", além de 580 euros da venda de bilhetes para o evento "Música Solidária", da Câmara Municipal de Aveiro e mais 11.050,52 euros de chamadas internacionais.

Do valor angariado, a UMP teve de pagar 190.950 euros de IVA (Imposto de Valor Acrescentado) ao Estado, uma parte pelos bilhetes vendidos e outra pelas chamadas de valor acrescentado. A isto somam-se mais 1.660,50 euros gastos em anúncios e divulgação de donativos.

Contas feitas, a UMP ficou com 1.606.881,99 euros para gerir, dos quais já gastou 11.929,10 euros na recuperação de duas habitações.» [Jornal de Negócios]

 Gente cheia de amor

Qualquer pessoa que tenha estado envolvida numa operação de ajuda de grandes dimensões sabe muito bem qua uma boa parte da ajuda desaparece em custos administrativos e em corrupção, não admira que estas operações sejam fortemente vigiadas quando são financiadas por organizações internacionais como a UE.

Mas, em Portugal criou-se a falsa ideia de que toda a gente que se envolve nesse mega negócio que é a caridade, agora eufemisticamente designada por economia social, está geia de generosidade e de amor para dar a terceiros. Há muita gente com as melhores intenções, mas a verdade é que há também muita gente a ganhar bom dinheiro e a conseguir elevados níveis de vida graças á dedicação a estas causas.

Quando Fernando Nobre se meteu na política foi dada a conhecer a gestão da AMI e os portugueses ficaram a saber da dimensão do negócio e do modelo familiar de gestão. Nobre deixou a política e desde então quase evita que se lembrem dele.

O PSD e Passos Coelho questionaram agora a forma como estava a chegar a ajuda aos concelhos vítimas de incêndios, ficando surpreendidos com a resposta, havia informação de pormenor em relação à ajuda distribuida por instituições do Estado, pouco ou nada se sabia sobre a ajuda gerida por entidades privadas. Mas ´+e certo de que ajuda gerida pelo Estado chega aos beneficiários, nada sendo retido a título de custos administrativos, veremos o que sucede com a ajuda gerida pelos privados.

      
 Portugal está na moda
   
«Portugal é o quinto melhor país do mundo para se viver e trabalhar, segundo o Expat Insider, um inquérito conduzido anualmente pela InterNations junto de 13 mil expatriados de 166 nacionalidades.

Os inquiridos consideram o país como o número um, em termos globais, no que respeita à "atitude amigável" para com os estrangeiros, um factor que em muito contribui para o quinto lugar no ranking mundial.

Portugal surge à frente da vizinha Espanha, que "fecha" o top dez, liderado este ano pelo Bahrein. À frente de Portugal estão ainda a Costa Rica, o México e Taiwan, que ocupou o primeiro lugar no ranking do ano passado.

Já a lista dos piores sítios para viver e trabalhar inclui países como o Brasil, a Grécia, a Arábia Saudita e a Turquia.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Portugal vive uma vaga de internacionalização que vai desde a realização de grandes eventos mundiais à instalação de nosso país de muita gente vinda de países ricos. É uma oportunidade única para atrair jovens empreendedores e investidores, isso se a direita e a esquerda conservadoras não matarem a galinha de ovos de ouro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 O filão dos incêndios ainda rende
   
«Em declarações aos jornalistas em Aguiar da Beira, durante uma visita à Santa Casa da Misericórdia, Passos Coelho considerou que "valeu a pena o PSD ter colocado a questão", sublinhando que há muito aguardava uma justificação.

"Foi bom que tivesse havido uma explicação pública, mas não nos satisfaz no sentido em que nos parece que há um desfasamento muito grande entre aquilo que foi anunciado e aquilo que, de facto, está a chegar às pessoas", lamentou.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou na terça-feira que o Estado, após a tragédia do incêndio de Pedrógão Grande, só organizou um fundo, o Revita, que tem 1,9 milhões de euros e é gerido conjuntamente com as autarquias e a sociedade civil.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Mais uma vez o tiro saiu-lhe pela culatra.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

quarta-feira, setembro 06, 2017

A corrida ao pote



Anda por aí muita gente a achar que um crescimento de 2,5% sobre uma base que nos últimos anos se traduziu numa redução do PIB significa que o país vive em fartura. Já ninguém se lembra da dívida soberana, das consequências da austeridade nos rendimentos da classe média ou do aumento generalizado dos impostos sobre o consumo.

PCP e BE reivindicam como se, de repente, o país estivesse rico, enquanto os grupos profissionais melhor organizados e com maior capacidade de penalizar o país se movimento no sentido de serem os primeiros a ir ao bolo. Na Autoeuropa os trabalhadores, que estiveram à margem da austeridade, querem uma parte maior na rentabilidade da empresa e jogam num conflito laboral ignorando o risco de lhes acontecer o mesmo que sucedeu com outras fábricas de automóveis.

O próprio PSD que há bem pouco tempo anunciava o diabo e viveu mais de um ano na esperança de um segundo resgate, faz agora tudo para impedir o governo de controlar a despesa pública, montando mesmo uma geringonça alternativa com o BE em torno das cativações, um mecanismo orçamental que sempre existiu e de que ministros do PSD como Manuela Ferreira Leite usaram e abusaram.

Não sei onde está a fartura de que tanto falam e muito menos a devolução dos rendimentos que a Geringonça apregoa, a verdade é que fora o subsídio de Natal, que pago mensalmente cria uma ilusão de rendimento mensal acima do real, recebo menos 18% líquidos do que recebia em 2010, suporto austeridade desde que de uma penada Sócrates cortou 10% dos ordenados no Estado.

Isto significa que uma parte da fartura que alguns querem repartir, em especial os enfermeiros ditos especialistas, os magistrados e os professores, não é mais do que a folga das contas públicas gerada pelos cortes de rendimentos que permanecem. 

É bom recordar que o PSD e CDS não cortaram rendimentos através dos mecanismos da sobretaxa de IRS ou dos cortes de vencimentos e pensões. Além destes cortes a direito introduziu muitos mecanismos de cortes de rendimentos encapotados das mais diversas formas, recorrendo a todos os mecanismos possíveis nas contribuições, sociais e nos mais diversos impostos. A estes cortes importa acrescentar o aumento da despesa das famílias em resultado do aumento dos impostos sobre o consumo que, entretanto, foram decididos.

Se por um lado a Geringonça devolveu uma parte dos rendimentos (recorde-se que ainda há muita gente a suportar a sobretaxa), por outro uma boa parte dos rendimentos dos funcionários públicos foram perdidos definitivamente. É daqui que resulta a fartura orçamental que enfermeiros, magistrados, professores e outros grupos profissionais mais gulosos, com o apoio do PCP e do BE, querem partilhar como se o pote de mel fosse dos que têm maior capacidade reivindicativa. Até parece que querem repartir o que foi tirado a outros trabalhadores antes que a fartura se acabe.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Teresa Morais Leitão

Será que Teresa Morais Leitão acha que o governo roubou os donativos ou que por birra os está a esconder. Só o fato de Passos Coelho ter escolhido Teresa Morais Leitão para esta intervenção mostra o objetivo de mais este aproveitamento tardio do incêndio de Pedrógão Grande. Quando não é o Amorim é a Teresa Morais Leitão a desempenhar estes papéis.

«A vice-presidente do PSD Teresa Morais exigiu esta terça-feira esclarecimentos adicionais ao Governo sobre os donativos privados às vítimas dos incêndios florestais da região Centro, em junho, considerando o valor apurado "ridiculamente baixo".

"A resposta é a de que foram submetidos termos de adesão de donativos de 3,2 milhões, estando concretamente transferidos 1,9 milhões. Este valor é - julgo que toda a gente anuirá - muito baixo e ridiculamente baixo, se comparado com as expectativas criadas pelos números que foram divulgados", disse a deputada social-democrata, em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa.

Segundo a dirigente "laranja", após questões colocadas em julho e agosto pelo PSD, a resposta do executivo surgiu agora, por intermédio do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva.» [Expresso]

      
 Um grave problema cultural no fisco
   
«Quando a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) elabora uma informação vinculativa sobre uma determinada situação fiscal depois de uma empresa ou um contribuinte singular apresentar um pedido à administração fiscal, o fisco é obrigado a divulgar esse esclarecimento no Portal das Finanças. A lei estabelece um prazo de 30 dias a partir do momento em que a informação é prestada ao contribuinte, mas nem todos os serviços da administração fiscal cumprem a regra.

O fisco tem vindo a publicar essas fichas com mais regularidade em casos que envolvem decisões sobre benefícios fiscais, IVA e outros impostos, mas não sobre o IRS. Em relação a este imposto, deixou de publicar as decisões vinculativas a partir de 10 de Outubro de 2013. O vazio dura, assim, há quatro anos: desde aquela data nada mais foi publicado na área do IRS. A ausência atravessou três directores-gerais. E só há pouco mais de um mês e meio é que o actual Governo deu instruções para o fisco corrigir a situação. O processo está agora em curso.

A orientação do Governo surge num despacho publicado em Diário da República na última sexta-feira, mas já assinado a 12 de Julho pelo anterior secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, na semana em que o governante deixou o executivo de António Costa por causa do “Galpgate”.

Rocha Andrade mandou fazer o “levantamento das informações vinculativas não publicadas”, para agilizar a sua divulgação, e deu ordem à instituição liderada por Helena Borges para publicar “ora em diante” todas as decisões, salvo as que são idênticas a outras já conhecidas. A obrigação já estava vertida na lei, mas a AT nem sempre a cumpria.

As informações vinculativas correspondem às decisões tomadas pelo fisco, com base na interpretação das normas tributárias, aos pedidos de resposta concretos solicitados pelos contribuintes em relação a uma determinada situação fiscal (por exemplo, saber se um benefício fiscal se aplica num determinado caso, se um produto fica isento de uma taxa, esclarecer a qual se aplica um IVA a 13 ou a 23% por causa da especificidade de um determinado serviço).

O que se passa com a ausência das informações relativas ao IRS não é caso único. Na área da justiça fiscal – que envolve, por exemplo, a área das infracções tributárias e o processo tributário – não há mesmo informações vinculativas online. Quem as quiser conhecer, terá de continuar a aguardar pela “disponibilização da informação por parte da direcção de serviços”.» [Público]
   
Parecer:

Parece que os dirigentes do fisco estão formatados para cobrar impostos a qualquer custos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Penalize-se de acordo com a lei todos os dirigentes do Estado que se recusem a cumprir uma lei.»

terça-feira, setembro 05, 2017

Fazer política salarial com o IRS

É grande a tentação de fazer política salarial recorrendo ao IRS e essa tentação está presente de forma implícita no discurso de alguns políticos da esquerda conservadora. Esta abordagem não é nova, do outro lado, na esquerda mais conservadora, fez-se precisamente isso na experiência da desvalorização fiscal, recorreu-se ao IRS para proletarizar a classe média.

É um jogo perigoso transformar o sistema fiscal num instrumento de política salarial, ignorando a sua dimensão nacional, enquanto instrumento de arrecadação de receitas para financiar o Estado e, em particular, os mecanismos do Estado social. Neste sentido não faz sentido desresponsabilizar uma parte dos portugueses com o argumento de que ganham pouco. A verdade é que muitos dos que pagam impostos e não beneficiam de ajudas do Estado acabam por dispor de um rendimento líquido inferior aos que foram dispensados de dar qualquer contributo.

Mesmo que fizesse sentido fazer política salarial através do IRS isso só seria aceitável se não existisse a fuga a esse imposto. Todos nos lembramos de quando o Manuel Damásio declarava o ordenado mínimo e, tanto quanto se sabe, o fisco nada terá conseguido contra ele. Também toda a gente sabe que em setores como o da construção civil uma parte dos salários são pagos “por fora”, e nalgumas profissões reina a economia do biscate, isso sucede desde as empregadas domésticas às cabeleireiras. Isto significa que os “Damásios deixam de pagar impostos” e que muitos “falsos pobres” são dispensados de cumprir obrigações segundo uma lógica social de “coitadinhos”.

Passos Coelho tentou destruir a classe média, não tendo hesitado em sugerir aos mais jovens a porta da emigração. A ideia de que os rendimentos foram devolvidos é falsa, não só há ainda muita gente a suportar a sobretaxa do IRS, como uma parte importante do aumento do IRS foi feita com recurso a truques, como a mexida nos benefícios fiscais e nos escalões. Este recurso a truques para aumentar a receita fiscal sem assumir o aumento de taxas sucedeu em vários impostos.

Passos tirou à classe média para dar aos ricos, agora a esquerda parece querer tirar à classe média pra dar aos pobres. Por este andar dentro de poucos anos não haverá classe média nem para dar aos ricos, nem para dar aos pobres, os que não foram proletarizados à força por estas políticas sociais desastrosas, serão forçados a emigrar. Ficarão cá os mais ricos e os mais pobres, resta saber a que bolo os governos recorrerão para estas políticas de chicos espertos.



Eleições na terra do Madurinho algarvio - os cartazes (1)




Quando esperava que o autarca de Vila Real de Santo António recorresse aos especialistas eleitorais do Partido Comunista de Cuba, ou mesmo a algum assessor político do seu companheiro venezuelano eis que o PSD da little Venezuela algarvia recorreu a especialista de imagem brasileiros para tentar fazer eleger a "São" sua sucessora, enquanto o próprio tenta uns negócios políticos em Castro Marim.

É por isso que o cartaz tem uma frase que só deus nosso senhor deve saber o que significa "AGORA É SÃO". São o quê? São dois? São Luís Gomes? Não, a São é aquela rapariga que parece estar a olhar para as dez para as onze, enquanto um rapaz ao seu lado coloca a mão de forma a impedir que cai algum perdigoto para o chão.

Mas o que mais me impressiona no cartaz é o rapaz que aparece ao lado da "são" não se sabe bem o quê. Há uns anos atrás, quando cheguei para férias Vila Real de Santo António estava inundada de cartazes onde um rapaz com ar de talhante prometia grandes obras, até parecia uma campanha de um candidato a primeiro-ministro. Podem não acreditar mas tive de perguntar a alguém quem era aquele rapaz.

Era mesmo o tal rapaz que tinha ar de talhante, agora parece ter sofrido uma qualquer mutação enquanto canta no Sem Espinhas e quase parece o Tony Silva, a personagem do cantor de musica criada por Herman José com Serafim Saudade, também criado pelo mesmo humorista. 

Já agora, São quem? E quem é a rapariga que está a olhar para além do infinito?


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas. líder do CDS à consignação

É ridículo acusar um governo de marginalizar as juntas de freguesia, como se estas devessem ser colocadas ao mesmo nível das câmaras municipais. A líder do CDS já não encontra motivos para fazer render o incêndio de Pedrogão Grande.

«A líder do CDS-PP lamentou esta segunda-feira que as juntas de freguesia estejam a ser colocadas à margem do processo de reconstrução nas áreas atingidas pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, apesar de estarem “mais próximo das populações”.

“Ouvimos o Governo falar muito de descentralização, da importância dos municípios e das juntas de freguesia, mas o que vemos na realidade são juntas de freguesia, que são quem está mais próximo das populações, completamente postas à margem de todo este processo”, afirmou Assunção Cristas.

A presidente do CDS-PP falava aos jornalistas depois de uma reunião com os presidentes de juntas de freguesia dos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, onde estiveram representadas cinco autarquias.

“Aquilo que vim encontrar, e pedi expressamente para reunir com os presidentes de junta destes três concelhos, o que vi foi uma grande queixa em relação à forma como não têm sido envolvidos no terreno e na ajuda às populações, de forma que eles próprios não têm como explicar que ajudas estão a ser organizadas no terreno e como é que os seus fregueses se podem socorrer”, afirmou Assunção Cristas.» [Expresso]

segunda-feira, setembro 04, 2017

Jerónimo de Sousa, um homem fora do seu tempo



Com a liderança do movimento comunista a ser disputado pelo BE, que vai consolidando uma posição eleitoral que remete o PCP para um segundo plano, Jerónimo de Sousa foi à Festa do Avante fazer um discurso de afirmação da pureza ideológica. Entre outros temas abordou a greve da Autoeuropa como se aquela empresa fosse a Cooperativa Estrela Vermelha dos tempos da Reforma Agrária e o armamento da Coreia do Norte como se estivéssemos em plena crise dos mísseis em Cuba. Se na questão coreana Jerónimo regressou aos tempos da Guerra Fria, já na questão da Autoeuropa o discurso de Jerónimo recuou aos primeiros anos do século XX. Jerónimo revelou-se um homem fora do seu tempo.

Enquanto, do outro lado do mundo, o líder do PC Chinês dirigia críticas implícitas à Coreia do Norte, apesar de ser a China ser o único parceiro deste país, deste lado, Jerónimo de Sousa culpou o imperialismo de todos os males, isto é, disse mais ou menos o mesmo que a liderança da Coreia do norte para justificar o investimento que o regime faz. Foi um discurso muito semelhante ao que se ouvia nos tempos da URSS, quando aquele país investia todos os recursos em armamento nuclear, enquanto o PCP colocava á entrada dos seus concelhos enormes cartazes descansando os que viajavam, porque estavam a entrar num “concelho livre de armas nucleares”. Sentia-se um enorme alívio quando se deixava um concelho dominado pelo imperialismo e se entrava num território libertado, onde imperava a paz e a concórdia.

O PCP deveria esclarecer de uma vez se o modelo de sociedade que defende é um país onde todo um povo não tem acesso a qualquer informação, onde os familiares do líder são fuzilados com tiros de antiaérea e onde o partido comunista é pouco mais do que uma seita de apoio a uma monarquia absolutista de doentes mentais, que não hesita em impor a fome a todo um país só para se manter no poder. Porque as armas nucleares apenas servem para enquistar um regime anacrónico. Bernardino Soares já defendeu a Coreia do Norte em público e mais do que uma vez recebi e-mails onde alguns defendem aquele país em privado. É bom que os eleitores do PCP saibam que se um dia o PCP governar que tipo de sociedade vão ter.

Na questão da Autoeuropa começa a ser evidente que o PCP dá o tudo por tudo para transformar aquela empresa num bastião, á semelhança da reforma agrária do passado. Mais uma vez se usa o espantalho do imperialismo para justificar tudo. Mas onde estava o espantalho do imperialismo quando os trabalhadores da Autoeuriopa tinham aumentos e garantias de emprego quando todos os outros tinham cortes e despedimentos? É óbvio que os tais perigosos imperialistas nunca aceitarão que a empresa seja condicionada pelo controleiro que o PCP designar para a empresa, como se estas fosse uma das empresas dos tempos da URSS.  Quando o PCP mandar na Autoeuropa esta vai fechar, nessa altura o PCP e o BE terão de explicar ao país os pormenores da guerra suja que estão travando.

O discurso de Jerónimo de Sousa nada tem que ver com um tempo em que muitos trabalhadores fazem turnos, trabalhando a qualquer hora e em qualquer dia. Também nada tem que ver com empresas que negoceiam e oferecem contrapartidas. Quem ouviu Jerónimo falar sentiu-se transportados para os tempos em que os trabalhadores enfrentavam balas dos exércitos para reivindicarem um dia de descanso semanal. Mais uma vez Jerónimo de Sousa falou fora do seu tempo.

Não seria mau se em vez de fazer discursos inflamados para gente com boinas cheias de pins da URSS, falasse com o cidadão comum ou com o seu eleitor não militante sobre o que pensam da greve na Autoeuropa ou da maravilha que é essa sociedade comunista da Coreia do Norte. O discurso de Jerónimo de Sousa só serviu para ajudar os que têm ódio ao seu partido, porque em grande medida deu razão a muitos dos seus argumentos.

Autárquicas em Vila Real de Santo António




Vila Real de Santo António foi das terras do litoral que menos progrediram, em vez disso tem vindo a regredir, perdendo a importância que teve no passado. É óbvio que muito mudou e que atividades industriais que no passado foram símbolo de progresso tornaram-se inviáveis com a escassez das matérias primas ou com as mudanças no consumo.

Não se pode esperar que o desenvolvimento económico de uma região seja uma preocupação exclusiva dos autarcas, mas quando uma localidade entra em decadência acelerada e a grande preocupação de um autarca é contratar o José Castelo Branco para rei do carnaval, dar de mão beijada centenas de milhares de euros para uma astróloga investir num bar ou armar-se em SNS oftalmológico para levar idosos a Cuba, não se pode esperar outra coisa do que o agravar do atraso económico.

Mas não vale a pena atribuir todas as culpas ao Madurinho algarvio, essa versão PSD do ditador da Venezuela. A decadência de Vila Real de Santo António e poucos foram os autarcas que se preocuparam com o problema, estando mais empenhados em negócios imobiliários, geradores de receitas fiscais que alimentam a máquina do oportunismo autárquico.

Durante este mês e até às eleições autárquicas os problemas de Vila Real de Santo António serão aqui discutidos. É VRSA como poderia outra qualquer autarquia, se em muitas terras o poder autárquico foi fonte de desenvolvimento, nesta autarquia como em muitas outras foi um motor da decadência e do empobrecimento.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Poiares Maduro, ex-suplente de Miguel Relvas

O curso de mestrado em velhacaria da Universidade Independente de Castelo de vide prossegue a bom ritmo. Agora foi o Poiares Maduro a teorizar sobre a maldade de António Costa, concluiu que "a sua credibilidade para propor consensos vale o mesmo do que a consistência e a sustentabilidade do cabelo do senhor Trump". Poiares Maduro esquece que Passos Coelho tentou governar em minoria ao mesmo tempo que se recusava a aceitar qualquer programa de governo que não fosse o seu. Talvez não fosse má ideia Poiares Maduro falar dos consensos que procurou quando era ministro e braço direito de Passos Coelho

«Poiares Maduro lamentou a "superficialidade" com que a proposta dos "consensos" avançada pelo primeiro-ministro foi avaliada pelas elites portuguesas. No seu entender, "a questão fundamental é garantir que qualquer consenso é assente em princípios" e isso, segundo acrescentou, António Costa não pode garantir porque "a sua credibilidade para propor consensos vale o mesmo do que a consistência e a sustentabilidade do cabelo do senhor Trump".

Numa conferência centrada no tema do "dilema moral" que vive quem faz hoje política - "Concentrar-se no que é eficaz ou no que é certo?" - afirmou que o primeiro-ministro governa apenas sintonizado com o princípio da "total obsessão com o que funciona no imediato" que domina a política moderna

Essa obsessão é aquela que determina que "o que importa é decidir de acordo com ganhos imediatos em vez de com ganhos de longo prazo" e que sobrevive devido a um comentarismo sempre centrado na "dimensão de percepção e não sobre o conteúdo" das políticas.» [DN]

 Orçamento eleitoralista

Como é que um orçamento que estabelece como meta orçamental um défice próximo do zero pode ser considerado eleitoralista?

Seria interessante que ao mesmo tempo que sugerem que o OE para 2017 é eleitoralista os líderes do CDS apresentem as provas comparando-o com o que foi feito em 2015, a começar pela promessa de reembolso da sobretaxa do IRS.

 O PCP e a Autoeuropa

O PCP está a transformar o conflito laboral na Autoeruopa como uma das suas maiores bandeiras. Trata-se de um jogo muito perigoso para um PCP que não percebe os prejuízos resultantes das declarações do antigo líder da Comissão de trabalhadores. A maioria dos trabalhadores portugueses gostariam de ganhar o mesmo que os trabalhadores daquela empresa, gostariam, de etr sido tratados durante o anterior governo como foram tratados aqueles trabalhadores e gostariam de ter como interlocutores gestores como os daquela empresa multinacional.

O PCP refere-se a esta luta laboral como se estivéssemos na revolução industrial e arrisca-se a pagar esta fatura em próximas eleições. Os trabalhadores daquela empresa decidiram fazer uma greve e solicitaram ao um sindicato que entregasse o anúncio da greve, muito pouco para que o PCP transforme a Autoeuropa num grande bastião político, como se fosse a velha reforma agrária ou a famosa cintura industrial de Lisboa.

Seria bom que em vez de fazer bonitos discursos ideológicos Jerónimo de Sousa ouvisse o cidadão comum, talvez tivesse uma surpresa. Nesta guerra em que usa a Autoeuropa numa guerra com o BE o PCP pode sair a perder.

      
 Melhor sem ele
   
«1. Cavaco Silva não se conforma. Como será possível existir uma solução governativa que ele não gosta? Como chegou um homem que ele manifestamente detesta a Presidente da República? Mas, sobretudo, como é possível um país que lhe deu duas maiorias absolutas e dois mandatos presidenciais ter-lhe perdido o respeito?

Para uma resposta à última pergunta, bastar-lhe-ia rever o seu próprio discurso na Universidade de Verão do PSD. Talvez se ele conseguisse sair dele próprio e visse aquele homem ressentido e ressabiado percebesse porque é que a esmagadora maioria dos portugueses deixou de o respeitar. Mas é difícil para um homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas fazer um exercício de reflexão. Não percebeu qual o papel que deveria desempenhar como Presidente da República e, não surpreendentemente, não percebe o papel que alguém com seu o passado político deve desempenhar e qual o lugar que deve ocupar.

Como é evidente, Cavaco Silva tem ideias sobre o país e sobre a política e não só tem o direito de dar as suas opiniões mas até o dever de o fazer. Portugal tem problemas sérios que necessitam da ajuda de todos, principalmente de quem o conhece bem - ou deveria conhecer. O que um homem com a importância de Cavaco na nossa história recente não pode ou não deve fazer é optar por dividir, crispar, fazer baixa política. Mesmo em temas que importa debater, assuntos decisivos para o nosso futuro comum, como a questão do pensamento único europeu (que Cavaco chama realidade, quando é apenas uma opção política), no tamanho do Estado (o ex-primeiro-ministro Cavaco chamar a atenção para as gorduras de Estado é de estarrecer), o nosso endividamento brutal que nos mantém expostos à mais leve borrasca económica, o nosso insustentável modelo de desenvolvimento ou a questão do afogamento económico que a excessiva carga fiscal provoca. O ex-presidente, em vez de indicar caminhos, propor soluções, construir pontes para o diálogo, opta por um estilo chocarreiro, insultuoso, fanático que o envergonha a si e as instituições que serviu.

Cavaco demitiu-se de ser Presidente de todos os portugueses enquanto estava no cargo e agora demite-se de ser uma referência para a procura de soluções e decide ser um boy de máquina partidária.

O discurso político cada vez mais se afunda nas trincheiras, e que faz um ex-primeiro-ministro e ex-Presidente da República? Insulta em vez de argumentar, distorce factos e apoia teorias da conspiração.

Como deixou claro na sua aula aos rapazes e raparigas da JSD, quem não tem a sua opinião - uma grande franja da sociedade portuguesa - diz bazófias, não argumenta mas apenas utiliza verborreia ou limita-se a piar. Sim, é o homem que mais tempo esteve no poder desde o 25 de Abril que assim se exprime e, pelos vistos, acha que contribui desta forma para um ambiente que permita a busca de soluções.

O homem que no seu discurso diz "estar convencido de que os portugueses ainda valorizam a honestidade e a verdade" é o mesmo que, para atacar o atual Presidente da República confunde o papel de um Presidente da República no sistema político francês e no português.

O homem que fala de fake news e notícias plantadas é exatamente o mesmo que dirigiu uma intentona comunicacional desde o palácio de Belém - será que Cavaco acha que não temos memória?

O homem que acusou um ex-primeiro-ministro de falta de solidariedade institucional é o mesmo que passa parte de um discurso a lançar indiretas e ataques mais ou menos explícitos ao atual Presidente da República e a pôr em causa o modo como este exerce o cargo - rompendo uma tradição da nossa democracia, mas expondo o alinhamento de Cavaco com a atual direção do PSD na oposição a Marcelo.

E, claro, para não nos desiludir, Cavaco Silva não resistiu em amplificar a tese da asfixia democrática - que tão bons resultados tem dado ao PSD. O apelo final aos jovens do PSD "não vos falte a coragem para combater o regresso da censura" encaixa bem numa espécie de verdade alternativa que, pelos vistos, Cavaco quer ajudar a construir e divulgar.

No fundo, o homem que não é político passou uma hora num evento que pretende formar políticos a ensinar o pior da política.

O David Dinis, no Público, perguntava porque teria Cavaco Silva voltado? Eu respondo, para nos lembrar que estamos bem melhor sem ele.

2. Esta semana, tivemos debates televisivos referentes às eleições para as autarquias de Lisboa e do Porto. Em ambos, e em primeiro lugar, ganhou a falta de respeito pelo cidadão eleitor. Num caso na falta de verdadeiros candidatos ao cargo, noutro na recusa em debater as ideias para a cidade.

Ficou claro que em Lisboa há apenas um candidato a presidente da câmara. A candidata do PSD não consegue sequer disfarçar que está ali contra a sua vontade e nem se dá ao trabalho de conhecer os dossiês; o CDS decidiu utilizar o tempo de antena para promover a sua líder e prescindiu de ter um verdadeiro candidato; PCP e BE têm candidatos preparados mas que mais não são do que possíveis muletas de Fernando Medina.

No Porto, não faltam verdadeiros candidatos à presidência da câmara, devidamente preparados e com diferentes projetos. Aqui a falta de respeito pelo saudável debate e pelos eleitores veio do mais que provável vencedor do próximo ato eleitoral que, pura e simplesmente, não compareceu ao debate.

Não foi um bom começo para as autárquicas de Outubro, e logo nas duas principais cidades do país.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

 O branqueamento da Coreia do Norte

Terá passado despercebido, mas Jerónimo de Sousa escolheu o dia em que uma Coreia do Norte dirigida por uma monarquia de doentes mentais fez um teste de uma bomba de hidrogénio para acusar o imperialismo de tudo e mais alguma coisa no domínio do desenvolvimento de misseis nucleares,. Bom esforço de branqueamento da Coreia do Norte.

Também hoje, na reunião dos BRIC, o presidente da República Popular da China, se pronunciou indiretamente sobre o teste da bomba termonuclear. Vale a pena compararmos do discurso do líder da China com o de Jerónimo de Sousa, para se perceber como o líder português falou do tema. Um temeu o que se passa, o outro não criticou nada e fundamentou de forma implícita a política do doente mental norte-coreano com o imperialismo.

O que ganhará Jerónimo de Sousa no dia em que a Coreia do Norte lançar uma bomba H contra o Japão, a Coreia do Norte ou mesmo dos EUA? Afinal, o apoio de Bernardino Soares à Coreia do Norte é muito mais do que uma simpatia pessoal.

      
 Cristas chega atrasada
   
«"Aquilo em que continuaremos a trabalhar é para baixar progressivamente o IRC [Imposto sobre o Rendimento Coletivo] e, já neste Orçamento do Estado, à semelhança do que temos feito, o CDS, através do seu grupo parlamentar, apresentará a proposta para diminuir a taxa de 21% para 19 %", afirmou, durante o comício de apresentação dos candidatos ao concelho de Ponte de Lima (distrito de Viana do Castelo) nas autárquicas de 01 de outubro.


Dessa medida, disse, "depende a criação de investimento, emprego, boas condições de trabalho que geram riqueza e que geram o desenvolvimento do país".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Cristas tenta aproveitar-se de uma proposta da CIP, seria mais honesto da parte da líder do CDS dizer que apoia a proposta em de vez de fazer a mesma proposta sem referir os proponentes iniciais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

domingo, setembro 03, 2017

Semanada

Este ano a Universidade de Castelo de Vide, a escola dos bois de elite do PSD foi mais longe do que uma licenciatura à Independente, com a presença de gente tão habilitada como Cavaco, Rangel e o senhor da Proteção Civil que foi substituído o curso de 2017 deu um mestrado. Os jovens estudantes da política ficaram mestres em velhacaria.


Cavaco parece ter-se lembrado de um velho Piu Piu e como os jovens estudantes pouco sabem do passado achou útil falar das relações entre presidência e jornalistas. O que Cavaco não disse aos jovens foi que a sua carreira deve muito a um jornalista que durante dez anos de Belém informou os jornalistas a um ritmo diário. Com Cavaco as fake news evoluíram para a fake history.


Depois de anos a recusar-se a intervir nas empresas, nem mesmo para salvar um grande grupo empresarial, Passos apareceu a sugerir que "nos seu tempo" o governo terá resolvido todos os conflitos na Autoeuropa.

O país percebeu que não são só as cabeleireiras que viajam para a República Dominicana, há um verdadeiro mercado de viagens de turismo de negócios que a troco de umas visitas ou da presença num seminário leva muitos quadros de empresas e do Estado para os mais variados destinos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
carlos Abreu Amorim, defensor oficioso de Cavaco Silva

Pobre Cavaco, agora tem como defensor o Amorim.

«O regresso de Cavaco Silva à arena política com uma intervenção na Universidade de Verão da Juventude Social Democrata (JSD) esta quarta-feira, quer pela dureza do vocabulário escolhido, quer pelos recados que deixou ao atual Presidente da República e ao Governo, originaram uma onda de críticas. 


O social-democrata Carlos Abreu Amorim, "que nunca foi cavaquista", saiu em defesa de Cavaco Silva. "Confesso-me indignado com as reações ultra-sectárias ao seu discurso por parte dos partidos da Geringonça e de outros políticos", começa por escrever na sua página de Facebook, colocando de seguida algumas questões.

"Sejamos claros: alguém condenou Cavaco Silva a um voto forçado de silêncio? Mas, então, aquele que foi uma figura incontornável da política portuguesa desde 1979 (2 anos como ministro das Finanças, 10 anos como primeiro-ministro e outros tantos como Presidente da República) está proibido de dar a sua visão sobre o país? A Geringonça e afins querem-no calado, quedo e mudo?".

Para Carlos Abreu Amorim, a "extrema ferocidade das censuras à opinião de Cavaco Silva apenas comprova que este acertou em cheio no alvo mas, também, e muito pior, que quem nos governa está irremediavelmente deficitário dos rudimentos de cultura plural e democrática". A verdade, prossegue, "é que esta gente não sabe conviver com quem discorda das suas ideias e ações que crêem e querem acima de qualquer reparo".» [Notícias ao Minuto]

 O Camarada Passos

Ao falar da Autoeuropa o líder do PSD até parecia o líder da célula do PCP naquela empresa a falar do seu sucessor, chegou ao ponto de declarar que no passado as greves naquela empresa até foram evitadas, deixando no ar que tal se deveu à sua intervenção. Este não é o Passos Coelho que assistiu à derrocada de chinelos na mão, lá para os lados da Manta Rota, o tal senhor que nunca se metia na gestão das empresas e que nunca evitou qualquer conflito laboral no Estado, onde, na verdade, tinha um papel a desempenhar.

      
 Apanha-se mais depressa uma mentirosa do que uma coxa
   
«Assunção Cristas acusou o atual ministro da Agricultura de ter anulado um concurso no valor de 300 milhões de euros para apoio à floresta, aberto pela própria, para o substituir por um concurso de apenas 36 milhões de euros, reduzindo dessa forma forma os apoios à prevenção.


Perante as acusações da líder do CDS, feitas ao semanário Expresso, o gabinete da tutela em causa sentiu necessidade de esclarecer que esse concurso (que não era de 300 milhões mas sim de 210 milhões) foi "declarado ilegal pela Inspeção Geral de Agricultura por não respeitar a dotação orçamental da medida do PDR2020 ao abrigo da qual foi aberto, cuja dotação inicial era de apenas 36 milhões de euros, valor definido pela própria".

Num comunicado feito chegar ao Notícias ao Minuto, o gabinete do ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural acusa Assunção Cristas de, "numa tentativa desesperada de iludir a opinião pública e de rejeitar responsabilidades nas consequências da sua própria ação política relativamente à floresta", a anterior ministra da Agricultura "omite o facto de ter levado a cabo uma reprogramação do PRODER em março de 2012 e outra em setembro de 2015, das quais resultou uma redução global de cerca de 175 milhões de euros de apoios públicos à floresta". Ou seja, prossegue, "ao mesmo tempo que abria um concurso de 210 milhões de euros para uma dotação inexistente no programa de apoio seguinte, Assunção Cristas cortava 175 milhões de euros no programa que estava a gerir".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Assunção Cristas aprendeu mais um ditado popular.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»