sábado, agosto 19, 2017

O que se passará com Passos Coelho?

À medida que o tempo passa e os sucessos económicos a Gerigonça põem a nu as patranhas económicas de Passos Coelho quase nos vamos esquecendo das personagens que rodearam Passos Coelho. 

Quem se lembra de Vítor Gaspar? Era apresentado como um mago, não faltaram as comparações mais ou menos subtis com Salazar, muitos prognosticaram que substituiria Passos, na linha de Cavaco e do próprio Salazar. Era o salvador ideal para o país, até tinha uma avó Prazeres na Serra da Estrela, que lhe asseguravam as credencias dos valores rurais e do ruralismo, fazendo dele um novo Salazar. O ministro das Finanças adorava-o, apreciava a sua obediência canina e promoveu-o mandando publicar um artigo da sua autoria no site do ministério das Finanças Alemão.

E o que dizer de Maria Luís? Filha de um cabo da guarda de Cabora Bassa trazia nas suas entranhas a educação rígida e os valores da austeridade. Era uma senhora da economia e o ministro das Finanças alemão promoveu-a, até simulou um seminário no seu ministério para lhe dar currículo e dimensão. Falava como se tivesse um Nobel da Economia. Depois de Gaspar ter fugido já lhe prognosticavam uma carreira brilhante, seria a sucessora de Passos e este até a promoveu a vice no seu partido.

Do ex-ministro da Economia, o inconfundível Sôr Álvaro, homem que não queria horárias de doutor e despachava no meio do pátio do seu ministério. Defendeu a criação de uma multinacional do pastel de nata, prometeu transformar o país num grande produtor de minérios e iniciou a terceira grande revolução industrial, tendo mesmo ido a Paris apresentar as suas gloriosas ideias. Acabou despachado para que Portas pudesse meter o flausino do Porto no seu lugar.

Como os tempos mudar, uns fugiram, outros cometeriam erros de aritmética, muitos fogem de passos como o diabo da cruz, os outros assobiam para o ar. Passos está só, Sampaio não tinha generais, o líder do PSD já só tem, grumetes. Tem de ser ele a escrever os seus discursos e sabe-se como fala muito melhor do que pensa. Anda desesperado em busca de argumentos para que o diabo apareça, inventa suicídios, muda de argumentos e de estratégia de forma errática. Já não tem amigos, está cada vez mais abandonado, sobram-lhe os fracos, como o inconfundível Amorim ou o seu líder parlamentar.

O Passos sem os assessores do Estado, sem os recursos do gabinete de primeiro-ministro e sem o apoio dos que o ajudaram enquanto estava a subir é um político cada vez mais vulgar, sem ideias, sem orientação. Mais parece um candidato a uma junta de freguesia do que um político que está convencido de que uma grande desgraça nacional o ajudará a voltar a São bento.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Membro anónimo do Governo

É ridículo que a dois anos de eleições já há quem ande a formar o próximo governo, revelando uma imbecilidade pouco própria de quem está num governo. pior ainda, ainda os portugueses não votaram e já há quem ande a discutir competências no governo. Como se tudo isto não bastasse, parece que voltámos ao tempo das fontes anónimas de Belém, com a alguém a lançar notícias sem dar a cara.

«Se o PS ganhar as eleições legislativas de 2019 e vier a constituir de novo Governo, a tutela ministerial sobre a área da administração pública deverá sair das Finanças e passar para a Presidência do Conselho de Ministros, soube o PÚBLICO junto de um responsável do Governo.

O objectivo é valorizar a dimensão humana e profissional da administração pública e fazer com que os trabalhadores públicos deixem de ser olhados apenas como números e como uma área do Estado em que é possível cortar despesa.

De acordo com o mesmo responsável socialista, "a Secretaria de Estado da Administração Pública faz sentido e ficaria bem na Presidência do Conselho de Ministros em conjunto com a da Modernização Administrativa". Em termos da actual orgânica de Governo, em vez de estar na dependência do ministro Mário Centeno, passaria a estar na dependência da ministra Maria Manuel Leitão Marques.» [Público]

 Férias prolongadas

Quando António Costa teve um par de dias de férias a oposição ficou muito indignada, como se fosse um escândalo um primeiro-ministro gozar meia dúzia de dias de descanso. Mas, entretanto, tanto Passos Coelho como Cristas desaparecerem, estão de férias prolongadas. Parece que no seu entender a oposição não faz falta ao país e têm alguma razão, o seu contributo nos últimos dois anos limitou-se a gerir a agenda do diabo.

 Ao mau cagador até as calças empatam

O PSD não exigiu a declaração do estado de calamidade preventiva, mal este foi declarado o anafado Amorim apressou-se a apoiar mas criticando o governo pelo atraso em tal decisão. O que pensará Passos Coelho sobre este tema?

      
 Estes não foram para o paraíso
   
«Foi uma mulher polícia dos Mossos que abateu quatro dos terroristas de Cambrils. Segundo a agência Efe, que cita vários testemunhos, a agente da polícia catalã disparou a sua arma contra os atacantes quando estes saíram do carro e se dirigiram a ela empunhando facas, machados, machetes, cutelos e sacholas.

Eram cinco os terroristas que, dentro de um Audi 3, conduziam a alta velocidade no passeio marítimo de Cambrils, uma zona de praia em Terragona, a 100 km de Barcelona. Depois de tentarem atropelar várias pessoas (três civis ficaram feridos, um deles, uma mulher, morreu), o carro investiu contra um veículo da polícia que o tentava bloquear, provocando feridas a um agente numa perna e na cabeça (mais dois polícias ficaram feridos). Foi então que os atacantes saíram do carro com armas brancas e o que se sabe serem agora cintos de explosivos falsos, em direção a outra agente, que não hesitou.

O chefe da polícia dos Mossos, Josep Lluis Trapero, confirmou que um mesmo agente abateu quatro dos terroristas de Cambrils e explicou que está a receber apoio psicológico: “Matar quatro pessoas, mesmo que sejas um profissional, não é fácil de digerir”.» [Observador]
   
Parecer:

Aconteceu-lhes o pior que lhes poderia ter acontecido, foram mortos por uma mulher.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se a "moça".»
  
 Mais uma trumpalhada
   
«O presidente dos EUA tem uma solução para acabar com os ataques terroristas de inspiração islâmica que se sucedem, em várias cidades europeias, nos últimos anos: executar os radicais usando balas mergulhadas em sangue de porco — e poupar a vida a um, para voltar para trás e contar a história.

Numa publicação colocada na rede social Twitter, Donald Trump voltou a defender que a melhor maneira de acabar com o problema é fazer o mesmo que um general norte-americano, John Pershing, fez a insurgentes muçulmanos durante a guerra nas Filipinas, no início do século passado. Só há um problema: a história de Pershing é “fake news”, isto é, é um mito que circula na Internet mas que já foi rebatido.» [Observador]
   
Parecer:

Grande Trump.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Que bela escolha
   
«O desfecho era previsível, mas o PS insistiu até à última e agora perdeu o candidato à câmara municipal de Ourém. O atual autarca, Paulo Fonseca, apesar de estar insolvente, insistiu em ser candidato novamente. Na quinta-feira, após um pedido de impugnação da coligação PSD/CDS, o Tribunal de Ourém — num despacho ao qual o Observador teve acessso, considerou Paulo Fonseca “inelegível“, uma vez que não existe “decisão final de encerramento [do processo de insolvência] nem perspetivas de a mesma acontecer até ao dia 1/10/2017“. O PS terá agora como candidata a número dois da lista, Célia Seixo, uma vez que já não pode escolher outro candidato que não integre as listas iniciais.

Na base da decisão do tribunal está o artigo 6º da Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais (LEOAL) que estabelece, no seu nº 2 que: “São inelegíveis para os órgãos das autarquias locais: a) os falidos e insolventes, salvo se reabilitados […]”. O tribunal rebate os vários argumentos apresentados por Paulo Fonseca, nomeadamente o de que se tornou credor por ser fiador e não a pessoa que contraiu a dívida diretamente.» [Observador]
   
Parecer:

O aparelho local do PS insiste nestas escolhas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

sexta-feira, agosto 18, 2017

Incendiários

É evidente que o país tem de questionar tudo em matéria de incêndios e quando se diz tudo é porque não se pode deixar de fora a atuação das televisões. Com o argumento de que informam os portugueses as televisões não resistem à tentação de transformar os incêndios num reality show, em que se fica com a impressão de que se procuram as imagens que mais deslumbram, que chocam ou que dramatizam a situação.

A forma como os incêndios são tratados nas televisões faz lembrar os incitamentos de uma conhecida apresentadora de reality shows para que os concorrentes proporcionem imagens picantes. As televisões parece desejarem incêndios cada vez maiores e mais deslumbrantes, o maior número possível de feridos e mortos, tudo o que dramatize a realidade prendendo as audiências. Quando os espetáculo deixar de ter interesse esquecem-se das vítimas que tanto os preocuparam e que serviu de argumento para a sua dedicação noticiosa.

O incêndio de Pedrógão Grande ficará na história da televisão portuguesa e terá jornalistas como Judite Sousa como protagonistas pouco honrosos. Mas, infelizmente, o pior do que se passou não está no oportunismo e falta de respeito pelas vítimas por parte de quem pedia esse respeito em relação a si própria. O pior está na irresponsabilidade com que o tema foi tratado.

Muitos dos incendiários são psicopatas que regem as estímulos, para um incendiário as imagens de um grande incêndio serão muito provavelmente a mesma coisa que seria a exibição de um vídeo de pornografia infantil para os pedófilos. de um dia para os outro assistimos ao acendimento  de dezenas de incêndios, muitos deles durante a noite. O que levará a que num momento em que as televisões exibem imagens de incêndios a tempo inteiro todos os pirómanos do país acordem e ateiem centenas de outros incêndios.

É verdade que os eucaliptos ardem melhor do que os carvalhos e que os incêndios são maiores em dias de calor e ar seco. Mas a maioria deles são ateados por psicopatas ou por gente mal formada. Da mesma forma que no passado se apontava o dedo aos madeireiros, acusados de pagar aos inc~endiários, também teremos de apontar os dedos às televisões que provocam o frenesim dos psicopatas. Os madeireiros ganhavam dinheiro com a madeira barata, as televisões ganham dinheiro com as audiências. o mecanismo corrupto é o mesmo, ainda que tenham tratamento diferente no Código penal.


quinta-feira, agosto 17, 2017

O estranho fenómeno do Lidl

Se há contribuinte a quem o fisco não precisa de sugerir que peçam faturas são os comerciantes, podem evitar ao máximo emitir o papelinho maldito, mas na hora de as pedirem nunca se esquecem. É por isso que durante estas férias achei surpreendente um estranho fenómeno a que assistir diariamente na loja do Lidl na terra do Madurinho algarvio. Até cheguei a pensar que a Geringonça teria declarado um paraíso fiscal em Vila Real de Santo António.

Os primeiros clientes do Lidl são na sua maioria comerciantes que se abastecem de produtos que vão dos bolos aos queijos e fiambres. Nenhum deles queria fatura. Durante quinze dias não vi um único comerciante pedir fatura. Este fenómeno faz lembrar um outro que se generalizou quando o malfadado Núncio Fiscoólico era a última coca-cola do deserto na secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, de um dia para o outro muitos milhares de lojas e restaurantes afixaram avisos informado que “não se aceitam pagamentos por multibanco”.

O Núncio Fiscoólico aprendeu a usar o medo como forma de coagir os contribuintes a pagar o que deviam e o que não deviam, por isso lembrou- se de avisar os portugueses que iriam ser feitos cruzamentos entre as faturas emitidas e os pagamentos por multibanco. A resposta dos comerciantes foi imediata, para esperto, esperto e meio, uns deixaram de aceitar pagamentos por multibanco, outros passaram a emitir faturas apenas para os pagamentos feitos com cartões.

As medidas de combate à evasão fiscal, sejam as reais ou as de terror virtual costuma ter a mesma eficácia que o veneno para os ratos, começam por matar os ratos até que estes se habituam a resistir ao veneno e passam a alimentar-se deste. Se a ameaça feita aos portugueses de que passariam a ter os tostões contados pelo Big Brother do CDS criou algum terror, acabou por ser uma medida com efeitos perversos que não foram avaliados pelo espertalhão do Núncio Fiscoólico, hoje um advogado rico e bem sucedido da praça, acabaram por empurrar muitos milhares de contribuintes para a clandestinidade, onde estão a salvo de um fisco que insiste em cobrar e inspecionar sempre os mesmos.

É isso que explica o estranho fenómeno doo Lidl, muitos comerciantes optam por ficar na clandestinidade fiscal e como não emitem faturas optam por fazer as compras no Lidl. Não só se escapam aos impostos como não deixam qualquer rasto, sejam faturas ou guias de transporte. Enfim, tratam o cão com o pelo do próprio cão.


quarta-feira, agosto 16, 2017

Discurso vazio

A Festa do Pontal já não provoca o entusiasmo de outros tempos, as estruturas locais ainda arregimentam alguns “populares”, mas com um bom dia de praia com vendo de Levante são poucos os militantes que decidem ir ouvir o discurso repetido de Passos Coelho. O líder do PSD insiste no discurso do saudosismo do que o seu governo fez no passado, ainda que não seja raro que diga que fez o que Sócrates combinou com a troika.

Passos não tem ideias novas e limita-se a um discurso saudosista em que já ninguém acredita. Não faz propostas, não tem ideias, não apresenta alternativas, a sua agenda parece um boletim noticioso da Proteção Civil, limita-se a arrastar o tempo aguardando por mais desgraças. Depois de se ter excitado com uma qualquer desgraça nacional que traria o diabo, excita-se agora com incêndios, suicídios e outras desgraças.

Não admira que do seu discurso do Pontal pouco mais se tenha ouvido do que as suas declarações contra emigrantes, um tema que nem sequer está na agenda. O seu candidato de Loures atirou-se à etnia cigana, Passos atira-se aos emigrantes, a seguir virá um qualquer outro grupo que rende votos, talvez o funcionários públicos e reformados, outro dos ódios de estimação de Passos Coelho.

Até quando o país terá de aturar este líder do PSD? Portugal não tem qualquer oposição, se o governo é uma gerigonça, o menos que se pode dizer desta oposição é que não passa de sucata. Quando é que alguém do PSD se decide lançar uma alternativa a uma liderança que já morreu e apenas espera que seja enterrada? Quando é que Paulo Portas decide sugeria a Cristas que se retire?


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Miguel Albuquerque, traste do Funchal

Demonstrando a falta de sentido de estado que o caracteriza Miguel Albuquerque não perdeu tempo a atribuir responsabilidades à autarquia do Funchal. O problema é que este antigo Benjamim do Alberto João, que quando foi oportuno meteu os patins no padrinho, foi durante muitas anos o autarca vitalício do Funchal. Durante anos ignorou os protestos da população,. que certamente chegaram aos seus ouvidos.

Se Albuquerque fosse um político corajoso já tinha solicitado ao MP que investigasse o incidente, analisando, nomeadamente, os vários pedidos de intervenção e a forma como foram ignorados pela autarquia do Funchal. Seria interessante saber que o ex-autarca da capita madeirense chegou  ter conhecimento das queixas e o que fez.

«Pelas 19h30, há uma nova actualização do estado das vítimas, a partir do hospital.

Presente na conferência de imprensa desta terça-feira, Albuquerque recusou ter responsabilidade neste acidente. Respondia aos jornalistas que citavam as acusações de um morador do Monte de que Miguel Albuquerque – que foi presidente da câmara do Funchal entre 1994 e 2013 – conhecia o perigo em que se encontrava esta árvore e nada fez. “Nesta altura as pessoas estão emocionalmente com grande carga e começam a fazer essas especulações. Eu sempre assumi as minhas responsabilidade quanto estive à frente da câmara. Aquilo que foram as minhas obrigações eu cumpri”, respondeu o social-democrata.

António Mendonça, que mora junto ao Largo da Fonte, disse à RTP que tinha alertado tanto a vereação anterior como a actual, de Paulo Cafôfo, para o perigo de queda desta e de outra árvore. “Nada fizeram enquanto estiveram no pelouro”, acusou. O morador já tinha chamado a atenção duas vezes este ano, através do portal Funchal Notícias.» [Público]