quarta-feira, setembro 13, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Joana Marques Vidal,  Procuradora-Geral da República

Quando o governo foi acusado de estar escondendo mortos de Pedrógão  a senhora Procuradora-Geral manteve-se em silêncio durante muitos dias, deixando que o governo fosse queimado na praça pública, beneficiando do respeito do governo pela separação de poderes e pelos princípios éticos do primeiro-ministro que suportou todos os ataques sem apontar o dedo para quem devia dar a cara e estava calada.

A situação está a repetir-se, desde sábado que o ministro da Defesa está sob fogo, com muita gente a exigir-lhe que conclua investigações e que aponte culpados para o roubo de Tancos, até Marcelo, numa intervenção muito infeliz, veio defender celeridade no processo, omitindo quem o dirige e dessa forma sugerindo a muita gente a responsabilidade do ministro.

Sempre que a Procuradora-Geral é criticada em público a propósito de uma qualquer investigação reage rapidamente com um comunicado. Durante quantos mais dias quer a Procuradora-Geral que o ministro da Defesa seja atacado em público por matéria que é da responsabilidade do Ministério Público?

O ministro nada sabe das investigações ao assalto ou suposto assalto a Tancos. Não sabe, não tem que saber e seria muito mau se soubesse. Quem sabe tudo sobre este processo é a silenciosa Procuradora-Geral da República.

«A Polícia Judiciária Militar (PJM), à qual cabe investigar de crimes de âmbito militar, atribui à Polícia Judiciária a responsabilidade pela condução da investigação do assalto aos Paióis Nacionais de Tancos (PNT). Ao Observador, o porta-voz da instituição recorda que “a competência da investigação criminal” neste caso “foi delegada na PJ”. A PJM “colabora institucionalmente”, refere Vasco Brazão.

A posição da PJM surge na sequência da notícia do jornal Público em que se dá conta de que, mais de dois meses depois do assalto, a PJM não sabe do paradeiro das armas furtadas de Tancos — granadas, explosivos e outro material — e que a acusação pelo crime de furto está em risco. O Ministério Público atribuiu “natureza urgente” ao processo, que está a cargo do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, e, de acordo com o diário, mais de 70 pessoas já foram inquiridas, entre militares e civis ligados aos paióis. Mas não há certezas, sequer, de que as armas já tenham saído do país, ao contrário do que chegou a ser afirmado nos primeiros momentos após o assalto de final de junho.» [Observador]

 Um desafio a Sousa Tavares

Sousa Tavares acusou o governo de governar para os funcionários públicos, não criando condições para evitar nova bancarrota. Recorreu mesmo a um argumento usado sistematicamente por Passos Coelho contra os funcionários públicos, sugerindo que estes não eram despedidos. A lógica de Sousa Tavares é a de que os funcionários públicos, por não terem sido despedidos ou não terem emigrado não sofreram com a crise.

Sousa Tavares está mentindo e sabe que o está fazendo, está omitindo que os funcionários públicos foram massacrados com cortes e não foi apenas o aumento dos impostos. Está mentindo ao ignorar que os funcionários também pagam impostos e que estes foram aplicados depois dos cortes dos seus vencimentos. Está mentindo porque o governo de Passos criou mecanismos para o despedimento de funcionários.

Faço um pequeno desafio a Sousa Tavares, que torne público quanto é que ele perdeu em rendimentos durante os últimos cinco anos devido a medidas de austeridade. Se o fizer eu tornarei públicos os meus dados e veremos quem é que contribuiu mais para combater a crise.

      
 Depois de abater um caça russo compra defesa antiaérea 
   
«A Turquia assinou com a Rússia um contrato de aquisição de sistemas de defesa antiaéreo S-400, anunciou esta terça-feira o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, citado em vários jornais do país.

“Os contratos foram assinados, para a compra dos sistemas S-400 à Rússia”, refere Erdogan citado nos jornais turcos sendo que o diário Hurriyet acrescenta que “uma parte do pagamento já foi efetuado”.

A aquisição do sistema militar de defesa antiaéreo (S-400) é considerado o contrato mais importante firmado entre a Turquia e a Rússia.» [Observador]
   
Parecer:

Este Erdogan tem a sua graça, primeiro abate um caça russo, agora compra um sistema de misseis fabricado na Rússia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A CNA não sabia nem tinha de saber
   
«Os três “grandes” vão todos jogar a 1 de outubro, informou a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) na passada sexta-feira em comunicado. O “clássico” Sporting-Porto tem início às 18h00 e o Marítimo-Benfica está agendado para as 20h15. Outras quatro equipas vão defrontar-se nesse dia: Belenenses e V. Guimarães, Braga e Estoril. Seria, portanto, um domingo como qualquer outro no campeonato. Mas não é: será também o dia em que o país vai às urnas para votar nas eleições autárquicas.

Curiosamente, em 2015, os jogos União da Madeira-Benfica, Porto-Belenenses e Sporting-V. Guimarães foram agendados para 4 de outubro, dia de eleições legislativas em Portugal. Antes como agora, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) não foi informada pela LPFP. Quem o confirmou ao Expresso foi o próprio porta-voz da Comissão. João Machado adianta ainda que a CNE se pronunciará sobre o assunto após a reunião plenária que se vai realizar esta terça-feira.

Há dois anos, aquando do agendamento de jogos da Primeira Liga para o dia em que se votavam as legislativas, a CNE fez saber que era contra a realização dos mesmos no domingo eleitoral. E concluía: “Não havendo lei que expressamente os proíba, é desaconselhável a realização de eventos desta natureza. Em abstrato, potenciam a abstenção de um número que pode ser significativo de eleitores que, além dos profissionais [futebolistas, treinadores ou dirigentes] envolvidos, se deslocam para fora do local da sua residência habitual”.» [Observador]
   
Parecer:

Era o que faltava que para marcar eleições se tivesse que consultar o presidente da Federação ou ouvir o Bruno de Carvalho, o Pinto da Costa ou o Luís Filipe Vieira. Por este andar ainda se vão lembrar de designar o engenheiro do penta para presidir à CNA
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Não falou nem tem que falar
   
«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta terça-feira que ainda não teve oportunidade de falar com o primeiro-ministro, António Costa, sobre o agendamento de jogos de futebol para o dia das eleições autárquicas.

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) marcou quatro jogos para esse dia de eleições, domingo, 1 de outubro, incluindo o clássico Sporting-FC Porto, com início às 18h, e o jogo Marítimo-Benfica, às 20h15.» [Público]
   
Parecer:

Se a Liga marcou os jogos sabendo a data das eleições essa conversa só faria sentido se fosse para mandar as eleições para um dia da semana em que não há jogos. O voto não é obrigatório e se os clubes não se importam de impedir os adeptos de ir aos jogos ou de votar o problema é deles e dos adeptos.

Ao dizer que ainda não falou com o primeiro-ministro parece que está a sugerir que o Governo tem algum papel na calendarização dos jogos de futebol ou dos muitos espectáculos que se realizm no dia das eleições.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Marcelo que seja mais poupado nas respostas.»

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