quarta-feira, setembro 20, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Estudantes de medicina da Universidade de Lisboa

Usar imagens de tortura como protesto contra esta prática pode não ser a melhor opção, mas seria aceitável. O que não é aceitável é que a imagem da tortura seja banalizada usando-a como divertimento, neste caso como uma aceitação de caloiros na sua nova vida profissional. Reproduzir na Rua Augusta as imagens de Abu Ghraib ou das execuções do DAESH, ainda que com camisolas amarelas, tornando essa simulação numa exibição para divertimento de quem passa na Rua Augusta foi uma opção miserável dos estudantes praxistas da Faculdade de Medicina.

Está-se a tornar moda os praxistas usarem a Rua Augusta para transformarem as suas idiotices em espetáculos públicos para turista ver, desta vez foi um espetáculo miserável, tanto mais que sendo estudantes de medicina seria de esperar que tivessem mais um danoninho de cultura. Talvez por isso estivessem de consciência pesada, permitiam aos turistas que fotografasse o espetáculo degradante, mas quando viram uma máquina com ar profissional fizeram tudo para evitar fotografias.




 Não havia necessidade

Qualquer cidadão que ainda suporte a malfadada sobretaxa recorda-se que a promessa deste governo era acabar com ela em finais de 2016, mas a prendinha no sapatinho do OE de 2017 foi a continuação da sobretaxa. As famílias do 4.º escalão vão ter de a suportar até Novembro.

Centeno usou o fim adiado da sobretaxa para que as 90 famílias que ainda a suportam fiquem agradecidas e isso foi um erro, uma boa oportunidade de ficar calado. Em primeiro lugar que ofende aqueles que ainda estão em regime de austeridade e em segundo lugar porque é tecnicamente mentira. O tal alívio fiscal termina antes do final de 2017, isto é, termina em Novembro, isto é, o alívio fiscal surge um mês antes da entrada em vigor do OE para 2018.

 A Teres na Quinta do cabrinha

Teresa Leal Coelho, de quem se diz ser candidata do PSD à autarquia de Lisboa, escolheu a quinta do Cabrinha para uma cerimónia tristonha de apresentação do seu programa. Foi pouco mais do que um faz de conta paras as televisões, lá estavam os funcionários do partido, as velhinhas olhavam de soslaio a partir das janela e a suposta candidata lá fez o seu discurso. Para apimentar a visita e a título de prova de qual a candidata se preocupa com os pobres, lá se fez um passeio pelas caves de um dos edifícios, com a locutora a mostrar lixo e dizendo que as casas estavam degradadas.

É uma pena que a a candidata do PSD não tenha ido a um bairro social cuja construção tenha sido da iniciativa do seu partido, provavelmente porque não haverá nenhum ou porque estão todos em excelentes condições. A quinta do Cabrinha foi obra do mandato de João Soares, ainda que de pouco lhe tenha servido ao então candidato, a inauguração ocorreu em vésperas de eleições autárquicas e os residentes aproveitavam o interesse das televisões para reivindicar e protestar. Quem tinha um T2 precisava de um T3, quem tinha um T3 queria um T4 porque queria ter mais um filho e por aí adiante.

Este bairro social foi muito útil ao PSD quando Santana chegou a presidente da CML e talvez por isso tenha inspirado Teresa Leal Coelho, ainda que desta vez não havia casas para distribuir e o povo não veio para a rua. Restou à candidata tentar passar a imagem de desleixo, mostrando caves com lixo, como este tivesse sido ali depositado por Medina ou como se nalgumas casas a obrigação da limpeza em vez de caber aos residentes coubesse à CML, como se o regime dos bairros sociais fosse o de "cama, comida e roupa lavada".

Em Lisboa há muitos milhares de prédios com muitos mais anos do que os da Quinta do cabrinha, mas as caixas de correio estão inteiras, as paredes estão limpas, as partes comuns dos prédios estão lavadas e o lixo não se cumula. São casas onde vive gente que pagou a casa com sacrifício ou que suporta rendas por vezes elevadas, mas que assume as responsabilidades por cuidar do que é seu e do que não é, que limpa o que suja e repara o que estraga.

É lamentável que em Loures o PSD recorra ao racismo para atirar os eleitores contra os ciganos e em Lisboa a candidata do mesmo PSD se venha socorrer de um bairro social e use a degradação dos prédios de que os responsáveis são unicamente os seus residentes para de forma subliminar atacar a edilidade. A isto chama-se jogo sujo eleitoral.

Vale a pena ler a notícia do Público sobre a apresentação do programa, um espetáculo ridículo.

 A frigideira da Baixa de Lisboa

Do Cais do Sodré até ao Chafariz d'El Rei a Baixa de Lisboa está sendo transformada numa frigideira, em frente à estação Sul- Sueste há uma placa de cimento sem uma única sombra, o Terreiro do Paço é outra placa de cimento sem uma sombra, o Campo das Cebolas émeio placa de cimento e meio relvado com uns quantos pinheirinhos depenados.

Tenho a impressão de que os arquitetos da CML devem sofrer de alergia ao pólen e odeiam árvores.

 Desprezo canino

O embaixador da Guiné-Bissau acusou Portugal de ter um desprezo canino e avisou de que era um Estado. Ainda bem que avisou, pela forma como falou poderíamos ficar a pensar que era um canil.

      
 Estabilidade psicossomatica 
   
«O vice-presidente da câmara de Manteigas, José Manuel Cardoso (PSD), foi representar a autarquia numa viagem Paris, mas levou o próprio carro e cobrou mais de 1000 euros ao município só em quilómetros. No total, o vice-presidente gastou 1.842 euros em despesas com a viagem. Na Assembleia Municipal, José Manuel Cardoso chegou a justificar que estava apenas a “fazer poupanças” a favor de uma câmara “pequenina” e que tinha “fotocópias” que demonstravam que a viagem de avião a Paris teria ficado em 3.060 euros por ter levado mais pessoas no carro. Ao Observador acrescentou que o seu carro pessoal lhe dá mais “estabilidade psicossomática.”

A viagem foi em outubro de 2014 e, segundo explica o vice-presidente da autarquia em respostas enviadas ao Observador, tratou-se de uma “ação de promoção das Beiras e Serra da Estrela e da Beira Baixa para mostra, divulgação e comercialização de produtos endógenos, enquadrada numa missão promovida pelo jornal do Fundão”. O evento, acrescenta o número dois da autarquia, tinha “a colaboração e apoio institucional das Comunidades Intermunicipais da Beira e Serra da Estrela e da Beira Baixa, em parceria com a Embaixada de Portugal em Paris, a Câmara de Paris, o Instituto Camões e outras entidades oficiais e particulares, designadamente empresários, mas também todas a associações de emigrantes portugueses de França e de Paris.” José Manuel Cardoso esclarece ainda que “ao município de Manteigas incumbiu designadamente ofertar e transportar todo o pão a consumir nos eventos“.» [Observador]
   
Parecer:

Pobre doente...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Marque-se uma consulta e reserve-se vaga na enfermaria dos idiotas no Júlio de Matos.»

terça-feira, setembro 19, 2017

Estava-se mesmo a ver

Era mais do que óbvio que o esquema dos vistos gold iria atrair a nata da criminalidade mundial, compravam uma casa em Portugal e tinham direito a residência e a circular livremente na Europa. O dinheiro fácil começou a aparecer, houve quem se dedicasse ao negócio da intermediação e o Paulo portas dizia cobras e lagarto de quem ousasse criticar o esquema.

O negócio atraiu os do costume e lambuzaram-se de tal forma que alguns, incluindo um ministro de Passos Coelho estão a contas com um processo judicial, tendo dado lugar aos primeiros casos de corrupção ao mais alto nível do Estado. As grandes imobiliárias ficaram excitadas e algumas boas famílias decadentes venderam os seus palacetes a bom preço.  Agora sabe-se que a Comissão Europeia está preocupada com a concessão de vistos gold a gente corrupta.

Paulo Portas desancava em quem ousava criticar o esquema e designava o esquema por investimento. Entretanto, Paulo Portas desapareceu, muito provavelmente anda a fazer negócio com “investidores” do género que os vistos atraíram, o esquema ainda existe, mas os resultados são mais do que escassos.

Que investidores queremos para Portugal? Chineses que enriqueceram à pressa, brasileiros em fuga ou generis angolanos? Isto é o lúmpen do capitalismo, figuras falhadas da corrupção que sentem a necessidade de assegurar uma fuga provável e de garantir um local onde possam viver tranquilos. Chamar a isto investidores é gozar com o país.

Não é destes investidores que Portugal precisa, esta gente não traz qualquer progresso e as suas empresas prosseguirão no país com os esquemas fáceis com que enriqueceram nos seus países de origem. Portugal precisa de bons investidores, gente que traga know how, competitividade, atividades de alto valor acrescentado, empresas que apostem na qualificação, na investigação. É nestes investidores que Portugal deve apostar e para isso é preciso muito mais do que vistos com mel para corruptos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Mário Centeno, ministro generoso

Enquanto os declarantes de rendimentos mais baixos se escaparam a cortes de vencimentos beneficiaram da eliminação rápida e da sobretaxa, anunciando-se agora reduções do IRS que suportam, os que tiveram os maiores cortes de vencimento ainda suportam parte da sobretaxa e agora são gozados com a declaração de que iria haver um desagravamento fiscal em todos os escalões.

Tive o cuidado de ler bem as declarações e considerar como desagravento fiscal a eliminação de uma sobretaxa cuja eliminação estavam anunciada só pode merecer uma gargalhada. De um ministro  como Centeno foi uma argolada inadmissível. Será que devo ficar-lhe grato por ter adiado o fim da sobretaxa e agora iludir-me falando de desagravamento fiscal?

A inteligência dos cidadãos deve ser tratada com mais consideração.

 Dúvidas que me atormentam

De certeza que a Teresa Leal Coelho ainda é candidata a Lisboa?

Algum dirigente do PSD e do CDS criticou as agências de notação por não tirarem a dívida do lixo nos últimos dois anos? 

      
 No melhor pano cai a nódoa
   
«O grupo Cofina, que entre outras publicações detém o "Correio da Manhã", o "Record" e a "Sábado", deve ao Fisco cerca de 13,5 milhões de euros, depois da sua adesão ao Plano Especial de Redução do Endividamento ao Estado (PERES), um programa lançado pelo Governo de António Costa em novembro do ano passado com o objetivo de cobrar dívidas antigas das empresas.

Apesar de o grupo liderado por Paulo Fernandes ter pago cerca de 3,6 milhões de euros no âmbito do PERES, a Cofina Media continua com um penhor das Finanças por dívidas ao Fisco e à Segurança Social, tendo em 2016 constituído provisões de três milhões de euros para fazer face às divergências com o Estado.

Segundo o relatório e contas de 2016 da empresa, mantêm-se "em aberto divergências com a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) na sequência de uma inspeção incidente sobre o exercício de 2007 em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas (IRC), cujo montante questionado inicialmente pelas autoridades fiscais ascendia a, aproximadamente, 17 900 000 euros".» [JN]
   
Parecer:

Quem diria?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um peditório no MP.»
  
 Anda, anda e ainda vai para a geringonça
   
«"O CDS em todas as medidas do Orçamento do Estado que faziam sentido para os portugueses teve uma posição favorável, em muitas foi contra e em muitas absteve-se", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, durante uma ação de campanha à Câmara de Lisboa, à qual se candidata encabeçando a coligação "Pela Nossa Lisboa" (CDS-PP/MPT/PPM).

A líder centrista, que já tinha defendido uma baixa de impostos em todos os escalões do IRS, numa intervenção há mais de uma semana, disse o partido não tem qualquer problema "em votar pontualmente medidas que pareçam oportunas".

"Votámos, por exemplo, também as medidas relacionadas com o fim da sobretaxa que, aparentemente, só com este Orçamento do Estado é que vai terminar. As nossas votações têm sido consistentes com aquilo que é importante para os portugueses, nomeadamente, ao nível do desagravamento fiscal", argumentou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Aos poucos e quando lhe dá jeito Assunção Cristas demarca-se do PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Sócrates entra na campanha
   
«José Sócrates deixa esta segunda-feira fortes críticas ao Ministério Público, acusando-o de uma “golpada repugnante” no que diz respeito à investigação que envolve a aquisição de um T4 duplex por Fernando Medina, atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato pelo Partido Socialista às eleições autárquicas na mesma cidade. 

À semelhança do método utilizado há duas semanas, quando colocou vários vídeos a justificar a relação do governo que liderou com a Portugal Telecom, o antigo primeiro-ministro volta a recorrer ao YouTube para expor a sua opinião relativamente à atuação do Ministério Público. Para Sócrates, a recente polémica criada em torno de Fernando Medina representa uma “armadilha política” de que o próprio diz já ter sido alvo.

Segundo José Sócrates, a “golpada” começa quando “alguém escreve uma denúncia anónima que remete ao Ministério Público. Mais tarde, o denunciante, ou o próprio Ministério Público, fá-la então chegar a um jornalista, que por sua vez divulga o conteúdo dessa denúncia anónima. Seguidamente, num terceiro andamento, um outro jornalismo ou o mesmo questiona então o Ministério Público que, solícito, confirma ao jornalista que recebeu a denúncia e que abriu a competente investigação”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Resta saber o que pensa Medina.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

 Cobrar primeiro  e responder depois?
   
«O Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis (AIMI), cobrado este ano pela primeira vez, continua envolto em polémica, agora por falta de capacidade de resposta do sistema das Finanças às reclamações apresentadas para actualização das matrizes prediais. O prazo de pagamento do imposto termina no fim deste mês de Setembro. E para quem pediu a actualização da matriz (apenas possível em algumas situações) coloca-se a dúvida de saber se devem aguardar pela resposta à reclamação para pagar o imposto ou se devem fazê-lo já. Nos serviços não há uma orientação para dar resposta às dúvidas dos contribuintes.

Com a actualização das matrizes e o pedido de reclamação graciosa (para rever o imposto), alguns contribuintes podem ficar isentos ou pagar menos (o adicional do IMI incide sobre o património acima dos 600 mil euros para os solteiros e para um contribuinte com tributação individual, ou 1,2 milhões de euros para casal em tributação conjunta).

A actualização das matrizes pode ser pedida pelos contribuintes casados ou em união de facto que tenham prédios registados de forma errada ou incompleta. São várias as situações em causa, como, por exemplo, prédios que embora pertençam aos dois elementos do casal apenas estão registados no nome de um deles, ou quando o casal optou pela comunhão total de bens e há prédios anteriores ao casamento apenas no nome de um dos cônjuges; o mesmo pode acontecer quando os imóveis foram vendidos e ainda não foi feita a alteração da propriedade.» [Público]
   
Parecer:

É uma pena que o fisco tenha duas velocidades, uma para cobrar e executar, outra para responder a reclamações e devolver.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Avalie-se.»

 Obrigadinho pela informação
   
«As reacções dos protagonistas do sistema financeiro foram positivas, mas dominadas pela cautela. Em Bruxelas fala-se em “primeiro passo” e em “continuar a trajectória”. Em Lisboa, a presidente do Instituto de Gestão de Crédito Público (IGCP), Cristina Casalinho, explica ao PÚBLICO que a decisão da S&P só terá impacto profundo no custo do financiamento da República quando for acompanhada por outra agência de classificação de dívida, como a Moody’s ou a Fitch.

A S&P decidiu na sexta-feira tirar Portugal do “lixo”, revendo em alta o rating atribuído à dívida soberana portuguesa de 'BB+' para 'BBB-', o primeiro nível de investimento, permitindo à dívida portuguesa passar a ser vista como elegível para investimento por uma das três principais agências de rating mundiais. Segundo Cristina Casalinho, é preciso mais. “Para a entrada nos índices de governos, é necessário que pelo menos duas agências de rating tenham Portugal em Investment Grade [nível de investimento] e normalmente as que contam são a S&P e a Moody’s. Vamos ter de esperar pela decisão de ambas”.» [Público]
   
Parecer:

O que seríamos de nós sem o seu esclarecimento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Números interessantes
   
«Pedro, de 19 anos, natural do Porto, vive em Lisboa há um ano, desde que entrou no curso de Engenharia Agronómica, e até ser contactado pelo DN nunca tinha parado para pensar quanto é que gasta por mês. Faz rapidamente as contas: "Cerca de 830 euros, se incluir a prestação das propinas. Fica caríssimo, é uma despesa muito elevada". Este é um dos exemplos do que pode custar a vida de um universitário em Lisboa, a cidade onde, de acordo com as estimativas dadas ao DN, os estudantes precisam de mais dinheiro para viver. Na capital, e um pouco por todo o País, há ainda o problema da falta de quartos e dos preços cada vez mais elevados devido ao turismo.

Regressando ao caso de Pedro, o estudante "não tinha a mínima noção que gastava tanto", já que são os pais que pagam diretamente algumas despesas. "São 350 euros para alojamento, com limpeza duas vezes por semana; 150 para alimentação; 30 para transportes; 92 para as viagens a casa; 30 para ginásio; 80 para jantares e noite; cerca de 100 euros de propinas".» [DN]
   
Parecer:

Estes números provam que são os mais esquecidos pela política económica que mais apostam na educação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Analise-se.»

segunda-feira, setembro 18, 2017

Conhecer a verdade

O maior erro cometido nos últimos anos pela esquerda e, em particular, pelo PS foi não terem tido a coragem de exigir toda a verdade sobre o que se passou durante o governo de Passos Coelho, optando por simplificar as coisas como se o que distinguisse a direita da esquerda fosse a dose de austeridade ou o tipo de austeridade adotada.

Todas as medidas adotadas por Passos Coelho foram imposição da Troika ou muitas delas encobriram uma reformatação da sociedade portuguesa feita pela calada e com o acordo tácito da Troika e, em particular, do BCE? Todas as medidas adotadas estavam devidamente avaliadas ou os portugueses foram sujeitos a experiências económicas? Quem sofreu mais com a austeridade, que grupos profissionais foram mais atingidos, qual a perda de rendimentos em cada escalão de rendimentos? O aumento das exportações resultou de um aumento de competitividade ou da diplomacia económica da seita do Paulo Portas ou foi um movimento assente em apostas feitas no passado?

Para que este estudo seja feito é necessário tornar públicas as conversações e acordos do governo com a Troika. O CDS e o PSD exigiram-na negociação inicial, mas ao longo de quatro anos invocaram sucessivas alterações do memorando como fundamento de medidas de austeridade, sem que nada tivesse sido tornado público. É muito provável que não haja uma ata das muitas reuniões realizadas ou a transcrição de muito telefonema, estes quatro anos serão, muito provavelmente, a maior branca na história de Portugal.

Este erro da esquerda, preferiu transformar a luta política numa luta ideológica, como se tudo o que se passou tivesse sido normal num governo de direita, tem como consequência que ouçamos sucessivas declarações falsas de Cristas e de Passos Coelho. Isso está sendo especialmente óbvio nos comentários de Passos Coelho e de Cristas em relação à alteração do rating da dívida decidido pela S&P.

Este Governo fala muito na alteração da orientação económica como se o que se passou fosse apenas uma alteração de rumo, permitindo a Marcelo que fale em continuidade e fundamente o sucesso económico nessa mesma continuidade.

O que se passou durante o governo de Passos Coelho foi muito mais do que austeridade ou políticas p+revistas no memorando. Muitas das medidas mais duras não estavam em qualquer memorando, foram o resultado de uma experiência feita pela calada e inspiradas no pensamento de ultra direita de personalidades como o falecido António Borges e Vítor Gaspar. É tempo de o país saber toda a verdade e fazer uma avaliação rigorosa do que se passou e está a passar.

VRSA: a dívida soberana na Litlle Caracas algarvia


Imagem da futura Little Caracas algarvia
Não é o primeiro homem baixinho a imaginar o futuro com grandeza
e a projetar uma cidade digna da sua dimensão. Ali, para os lados de
Berlim houve outro em tempos. Esta visão do pequeno grande autarca
custou 150.000 € aos seus concidadãos, dinheiro que dava para muitas cataratas


Agora que se fala tanto em dívida e em lixo é interessante ver o eu neste capítulo aconteceu na Little Caracas algarvia, onde o Tony Silva do Sem Espinhas conseguiu aumentar brutalmente a dívida do município. Mas o mais grave é que o nosso grande líder do PSD algarvio e autarca modelo de Passos Coelho não só aumentou brutalmente a dívida, disputando um recorde mundial neste capítulo, como raspou o fundo ao tacho com contratos manhosos graças aos quais usou receitas futuras, para poder prosseguir no seu desvario financeiro em prol da sua imagem e do bem-estar de duas ou três famílias de amigos.

Durante os mandatos de Luís Gomes a gestão financeira a que a São pretende dar se os eleitores de Vila Real de Santo António lhe proporcionarem a “alternativa” e tiver carta branca para continuar a espetar mais bandarilhas no futuro da terra, a dívida passou de € 7.851.418,27 para mais de 150 milhões de euros, a despesa durante esse tempo situou-se entre os 350 e 400 milhões. Isto é, à conta deste casal maravilha cada cidadão de Vila Real de Santo António leva com uma dívida de mais de 7.000 às costas, o preço de um crescimento na ordem dos 1875%!

Esgotada a capacidade de endividamento e consumidos os recursos financeiros futuros Luís Gomes teve uma brilhante ideia, e se com um qualquer truque jurídico o município se apropriasse dos luxuosos terrenos do pinhal? Pensou e assim fez, declarou-se proprietário da mata recorrendo ao usucapião. Não é difícil de adivinhar que a seguir iria secar o sapal ou nacionalizar e terraplanar os cerros da freguesia de Vila Nova de Cacela.

Vale a pena recordar alguns dos negócios manhosos feitos pela São e pelo seu apoderado Luís Gomes:

Contrato entre a SGU, o Município e o Grupo Pestana para o arrendamento pelo prazo de 30 anos para arrendamento de 5 prédios no centro de VRSA durante 30 anos para instalação de uma Pousada, sendo a renda de € 6.500 mensais. O primeiro pagamento, feito na data de assinatura do contrato foi de 360 mil euros correspondentes às primeiras 55 rendas pelo que só a partir de Março de 2022 o executivo que estiver a dirigir o concelho passará a receber renda.
  • Ainda assim este é o melhor dos contratos de 30 anos recentemente assinados uma vez que, a concretizar-se permite aumentar o património municipal com a aquisição de um dos 5 imóveis arrendados e a recuperação de património degradado

Contrato entre a SGU, o Município e a SUN House II – Unipessoal, Lda para cedência de espaço para a construção de uma unidade hoteleira na zona do Complexo Desportivo
  • A empresa a quem foi adjudicado o contrato foi constituída em 2014 com um capital de € 30,00 à data a denominação original era Statuswisdom – Unipessoal, Lda e aumentou o capital em Outubro de 2016 para € 50.000,00
  • A Sun House II – Unipessoal, Lda foi transformada em 2016 em sociedade por quotas e alterou a designação para Sun House II Property, Lda e a empresa Sun House Management, S.A. adquiriu uma quota 
  • A Sun House Management, S.A desde Fevereiro de 2015 é dominada por uma sociedade com sede em Londres denominada Sanclair Limited
  • Com a assinatura do contrato efectuou um pagamento de € 160.000,00 e, após a abertura do hotel passará a pagar uma renda mensal de € 5.000,00
  • Não existe qualquer garantia bancária ou caução que garanta o cumprimento do contrato
  • Para instalação do hotel será destruída uma parte do complexo desportivo e que a Câmara diz que será edificado noutro local pelo Sun House só que não existe contrato
  • Ao mesmo tempo cedeu à mesma empresa em Monte Gordo una área de 1,300 m2 para espaços verdes e estacionamento junto a uma unidade hoteleira em renovação a troco da requalificação de um parque infantil e de um campo polidesportivo descoberto cuja gestão e utilização fica a seu cargo

Concessão de estacionamento de VRSA e Monte Gordo pelo prazo de 30 anos
  • Foi recebido em Maio de 2015 a quantia de 400 mil euro
  • O contrato prevê  o pagamento mensal mínimo de 15 mil euro e de uma renda variável de 25% da receita no caso de ser superior a 15 mil euro
  • Nunca foi prestada pela empresa contas
  • Nunca foi efectuado qualquer pagamento mensal
  • As condições contratuais e áreas foram alteradas após adjudicação sem que tenha sido sequer dado conhecimento à AM

Venda de Lote de terreno para hotel em Monte Gordo
  • O  município vendeu por 3,6 milhões um lote de terreno 
  • Terreno que é do domínio público e que tinha registado através de um processo de desafectação do domínio público para o domínio provado municipal  
  • O município tinha conhecimento da existência, desde 2011, de um processo de movido pelo Estado para reverter a deliberação da Câmara, processo que ainda está por decidir
  • Ainda assim, reactivou em 2016 um estudo prévio de reabilitação  e requalificação da frente marítima de Monte Gordo e procedeu à venda do terreno
  • Tendo consciência da existência de um processo pendente em tribunal e de que o plano aprovado viola o POOC Vilamoura- Vila Real de Santo António)

Concessão da rede de abastecimento de águas
  • Foi adjudicada em 2016 à empresa Aquapor S.A. a concessão por um período de 40 anos a gestão e exploração da rede de abastecimento de águas do concelho 
  • A troco da concessão seriam pagos 2 milhões de euros em 2016 e  2 milhões em 2017
  • Nos 4 anos seguintes seriam pagos 50 mil euros por ano
  • Este contrato não foi concretizado porque o Tribunal de Contas recusou por diversas vezes o visto



Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
José Sócrates

Independentemente de se estar ao lado ou não de José Sócrates, a verdade é que a luta pela demonstração da sua inocência é um exercício individual. Todo e qualquer apoio pode estimular Sócrates na sua própria luta, mas não o inocenta do que quer que seja.

A pior coisa que o PS poderia fazer era colocar-se ao seu lado num processo judicial, comprometendo o presente. Se Costa o tivesse feito desde que chegou a líder do PS a esta hora os pensionistas teriam pensões reduzidas, o processo de empobrecimento dos funcionários públicos continuaria e Passos poderia levar para a frente a sua agenda de extrema-direita. Digamos que é um preço a pagar pelo país e pelos portugueses que Sócrates não pode exigir.

Se Sócrates defende que o PS devia assumir a sua defesa então não deve invoca a sua relação com Costa e muito menos sugerir que o primeiro-ministro tem com ele uma dívida pessoal que deve saldar dessa forma. Se o "favor" foi feito a Costa, porque motivo este deveria pagar essa dívida usando o PS? Se é o PS que está em dívida porque motivo Sócrates não a cobrou a Seguro?

«José Sócrates volta a acusar o sistema judicial português e a reafirmar ser "vítima de uma conspiração política e judicial sem precedentes" com o objetivo de travar uma candidatura sua a Belém. Em entrevista publicada hoje no jornal espanhol "La Voz de Galicia", o ex-primeiro-ministro aponta o dedo a António Costa e ao PS, que o deixaram sozinho durante três anos "muito duros".

Apesar de não se sentir sozinho, acusa o líder socialista e a cúpula do partido de lhe terem virado as costas. "Apesar de tudo o que se dizia, éramos amigos. A nossa relação sempre foi boa. Elegi-o como ministro e como meu sucessor natural. Apoiei-o na candidatura à Câmara de Lisboa e depois à secretaria geral do partido. Tudo acabou quando me detiveram e tanto ele como a cúpula do PS me viraram as costas”

Desacreditado com a justiça portuguesa, José Sócrates não acredita em nada do que diz o Ministério Público, por isso, não tem certezas que será deduzida acusação até 22 de novembro. "Está-se a cometer comigo uma ilegalidade sem precedentes. O que se está a passar comigo é semelhante ao que está a acontecer com o Presidente Lula, só que ele tem o apoio do seu partido e eu não".» [Expresso]

      
 Mais uma corrida ao pote
   
«Os inspetores da ASAE convocaram uma greve geral para 9 de outubro, como forma de luta por melhores condições laborais, anunciou este sábado a Associação Sindical dos Funcionários da ASAE (ASF-ASAE).

A decisão foi tomada em assembleia geral na sexta-feira, em Pombal, numa reunião para apreciar a proposta apresentada pelo Governo, no final de um longo processo de negociação para criar a carreira especial de inspeção da ASAE.

"Por unanimidade, foi aprovada uma moção, a rejeitar parcialmente a proposta do Governo, que não vai ao encontro das legítimas expectativas dos inspetores, nem reflete a importância, valor e dignidade da ASAE", refere no comunicado.

Na mesma moção, os inspetores da ASAE exigem uma negociação suplementar com o ministério das Finanças, face ao que chamam de "incapacidade e irredutibilidade" do ministério da Economia em negociar matérias como as regras de transição para a carreira única, o horário de trabalho e uma nova tabela remuneratória.» [Expresso]
   
Parecer:

Comeram e calaram quando Passos governava e lhes cortava os vencimentos, agora querem ser dos primeiros a labuzarem-se no pote. É a direita sindical em movimento com o que pode.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

domingo, setembro 17, 2017

Semanada

Quando no passado mês de março a S&P manteve a dívida portuguesa no lixo e sem perspetivas de alteração maria Luís Albuquerque veio a público manifestar a sua concordância com decisão daquela agência de notação. Passados seis meses o PSD esqueceu o que os seus dirigentes disseram no passado e Passos Coelho veio chamar a si os louros da alteração da notação da mesma agência, que retirou Portugal do lixo. Passos está esquecido de quando dizia que defendia o voto nos partidos de esquerda se a estratégia económica do governo desse resultado, ou de quando informou o país de que a vinda do diabo estava para breve.

A colagem de Passos a André é cada vez mais evidente e militantes, sinal de que as declarações do candidato a Loures foram mais do que um desabafo. Isso foi evidente quando Passos escolheu o tema da imigração como ponto forte do seu discurso no Portal, não admirando que o líder do PSD ignore a quase totalidade das suas candidaturas autárquicas, não deixando passar uma semana sem falar de Loures. Para regressar ao poder vale tudo e o PSD corre um sério risco de resvalar totalmente para a extrema-direita com um líder em desespero, que não hesitará em imitar Trump nas próximas legislativas.

Sem argumentos a extrema-direita chique desdobra-se em jogadas sujas, numa semana não só lançou o suposto caso do candidato do PS a Lisboa, como ainda descobriu que o filho de um amigo do primeiro-ministro é estagiário numa empresa do Estado. É bom que os governantes e autarcas da esquerda pensem bem antes de cada passo pois tudo vale a esta extrema-direita chique, liderada pelo Observador, par chegar de novo ao poder, antes que Passos Coelho seja corrido da liderança do PSD.

Quando se pensava que a licenciatura de Miguel Relvas tinha sido um aviso aos idiotas deste país, eis que somos surpreendidos por mais um doutor da Farinha Amparo, desta vez o presidente da Proteção Civil. Ainda por cima o pobre doutor levou uma semana até perceber que tinha mesmo de se demitir, o homem estava mesmo convencido de que ficaria no cargo contra a vontade de todos. Talvez não fosse má ideia saber quem no governo se lembrou de nomear este senhor.

Se Medina ganhar as eleições em Lisboa com maioria absoluta consegue-os apesar da EMEL. A arrogância desta empresa municipal, o desprezo dos seus dirigentes pela cidade e pelos lisboetas e as práticas abusivas são tantas que o seu presidente devia ser considerado e tratado como líder da oposição em Lisboa. Nunca os cidadãos desta cidade foram vítimas de uma caça à multa tão oportunista como a que está sendo liderada pelo presidente da EMEL
.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque, empregada bancária

Porque motivo ninguém se lembrou de procurar a ex-ministra das Finanças e vice-presidente do PSD quando a S&P decidiu retirar a notação de lixo à dívida portuguesa? Era o mínimo que se esperava depois de Passos Coelho ter chamado a si os louros, mas a agora empregada bancária sabe muito bem que quando aquela agência manteve a classificação de lixo com perspetiva estável, isto é, sem prever alteração, a senhora veio a público concordar com essa decisão.

Compreende-se que depois de tantos erros de aritmética esta personagem ande escondida.

      
 Portugal avança para a tributação da economia digital
   
«À saída de uma reunião informal de ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), na qual liderou hoje a delegação portuguesa dado Mário Centeno já ter regressado a Portugal, António Mendonça Mendes referiu que, durante a discussão sobre este tema, anunciou que Portugal se junta a uma iniciativa liderada por França, Alemanha, Itália e Espanha, por uma questão financeira mas também de "justiça".

"Estamos a falar de valores muito significativos. No dia-a-dia, o comércio eletrónico passou a fazer parte do nosso quotidiano: todos nós compramos livros pela Internet, todos nós compramos viagens pela Internet, todos nós publicitamos eventos em meios digitais, e por isso estamos a falar de muito dinheiro. E o dinheiro é muito importante, mas também é muito importante este sentimento de justiça: nós temos um setor económico novo, uma nova realidade, e ainda bem que temos essa nova realidade, mas essa nova realidade não está a ser tributada. Portanto, independentemente do valor, é uma questão de princípio", declarou.

O secretário de Estado enfatizou que a questão da tributação da economia digital é "um problema global e uma nova realidade que não pode ser enfrentada por um Estado-membro sozinho" nem tão pouco apenas pela UE.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Não era sem tempo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

sábado, setembro 16, 2017

O diabo acabou de chegar a Massamá...




Quando em Março passado a Standard & Poor’s decidiu manter a notação da dívida portuguesa em BB+, ou lixo, com perspetiva estável, a ex-ministra das Finanças de Passos Coelho e vice-presidente do PS Maria Luís Albuquerque foi muito clara ao declarar "Eu confesso que não vejo injustiça", adiantando uma explicação para a sua concordância com a avaliação da S&P:

"O elevado nível de endividamento, a divida pública, que tinha reduzido em 2015 voltou a subir em 2016, o endividamento privado também continua muito elevado, o crescimento reduziu face àquilo que vinha de 2015 e há uma conjunto de medidas que representam potenciais problemas para a competitividade e criação de emprego"

Queixava-se ainda de que o Governo não tinha dado  "melhores argumentos" à S&P para que Portugal saísse "desta situação de lixo", lamentando-se ainda que era "uma desilusão que o país continue nesta situação e que não consiga registar, de facto, as melhorias que estávamos prestes a registar no final de 2015".

Poucos meses passados e depois de ter andado a fazer surf nos incêndios e outras desgraças Passo Coelho ignora o que a sua vice-presidente tinha declarada e deu mais uma das suas cambalhotas, tem mesmo o descaramento de chamar a si quase todo o mérito, quase porque deu um danoninho desse mesmo mérito ao Governo dizendo que este "tem o mérito de ter conseguido nestes dois anos provar que os receios que os investidores tinham eram infundados porque o Governo acabou por garantir as metas que eram importantes para os que estabelecem o 'rating' para o país".

A posição de Passos Coelho chega a ser ridícula pois ninguém se esquece de ter anunciado a vinda do diabo em Setembro de 2016, já depois de ter declarado numa entrevista à SICdada em março de 2016, que "passaria a defender o voto no PS, Bloco de Esquerda e PCP".

Depois de dois anos a aproveitar tudo o que mau acontecia ou esperava que viesse a acontecer ao país, Passos Coelho humilha-se de uma forma quase ridícula, ao apressar-se a comentar a decisão da mesma Standard & Poor’s para chamar a si todos os louros, chegando ao desplante de dizer que consigo no governo tal notação já teria sido atribuída, lembrando uma declaração de Relvas que em plena crise financeira assegurava que quando o PSD chegasse ao governo as agências de notação recuariam e deixariam de avaliar a dívida portuguesa como lixo.

Esta notação significa que o diabo vinha mesmo, está agora em Massamá transfomando Passos Coelho em lixo político.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Passos Coelho insiste no caminho perigoso de se colar aos valores do André Ventura convencido de que isso lhe trás votos. Até parece que está a ensaiar o trumpismo em Loures para concluir se vale a pena empurrar o PSD ainda mais para a extrema-direita nas próximas eleições.

Passos ainda está na sua pantomina do primeiro-ministro no exílio e fala como se a opinião dos portugueses tivesse congelado em 2015 e ainda não soubesse do logro que foram as suas políticas, comprovado pelo sucesso do atual governo na economia.

«Os ciganos vivem quase exclusivamente dos subsídios do Estado”, disse André Ventura, candidato do PSD à liderança do município de Loures, numa entrevista em julho. E assim começou um turbilhão de polémica. O CDS abandonou o apoio deste candidato e os partidos da esquerda partiram ao ataque destas declarações. Passados dois meses, em entrevista à “CMTV” na quinta-feira à noite, Pedro Passos Coelho voltou a defender o candidato do PSD a Loures e acusou quem criticou as palavras do social-democrata de demagogia e populismo.

“Na altura, procurei que ele [André Ventura] se clarificasse perante as pessoas. Não tinha dúvidas sobre isso porque já tinha falado com ele sobre o que se passa em Loures e noutros pontos do País. Existem respostas que são discriminações positivas mas as pessoas acabam por criar uma espécie de oferta garantida pública que não tem nenhuma contrapartida. Não podemos fechar os olhos, na política, a estas situações. Não podemos ter medo dos demagogos e dos populistas que permitem e, no fundo, com a sua atitude, permitem que situações que acabam por ser profundamente injustas perdurem. E isso, sim, cria uma reação muito negativa”, disse o ex-primeiro-ministro.

PASSOS, O “MAU DA FITA”?
Pedro Passos Coelho recusa ter, neste momento, o papel do político “mau” ao nível nacional, por comparação com o “bom” António Costa. “Se essa fosse a opinião média dos eleitores não teria tido mais votos que António Costa nas legislativas. O ponto que se põe é se perdemos ou não tempo com esta solução de Governo e eu acho que perdemos. Está-se a vender uma ilusão. É uma política dissimulada”, disse.» [Expresso]

 Quem quer ganhar muito mais antes que acabe?

Ok, tudo bem, agora metam-se na fila porque os juízes e os enfermeiros chegaram primeiro.

 Adeus Cassini



 Miguel relvas estava enganado

Quando a vida política portuguesa estava incendiada com a crise financeira Miguel Relvas prognosticou que quando a direita portuguesa chegasse ao poder as agências de notação retirariam a dívida portuguesa da classificação de lixo. Estava enganado, como também estava enganado Passos quando disse que o investimento estrangeiro confiava mais na direita.

 O diabo acabou de chegar

A Massamá.

      
 Mas que grande cunha!
   
«O filho mais novo de Diogo Lacerda Machado — o “melhor amigo” de António Costa que negociou, em nome do primeiro-ministro, os dossiers da TAP e dos lesados do BES — colabora há dois meses, a título “experimental”, com uma empresa do setor empresarial do Estado na área da Defesa. Ao Observador, a idD – Plataformas das Indústrias de Defesa Nacionais S.A. justifica a escolha do novo assessor para as “relações internacionais e diplomáticas” com o “percurso académico” de João Maria Lacerda Machado. Há quase dois anos, o filho mais velho do consultor deixou um mestrado na Bélgica para ocupar um cargo de assessor técnico na secretaria de Estado da Internacionalização.

Depois da licenciatura em Comunicação e Jornalismo, pela Universidade Católica (com uma passagem por Barcelona, em Erasmus), João Maria Lacerda Machado, 27 anos, começou a frequentar um mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, também pela mesma instituição. Mais recentemente, também na Católica, concluiu um programa avançado em Diplomacia. Esse percurso académico foi a razão para que Lacerda Machado tivesse sido escolhido para um período “experimental” de dois meses na idD.» [Observador]
   
Parecer:

O jornal da extrema-direita chique depois de aturadas investigações conseguiu apurar que o Lacerda conseguiu um emprego para o filho, um licenciado com um mega ordenado de 1.500 euros brutos. Com cunhas e ordenados destes quem quer ir a concursos?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 O coitado precisa de dinheiro para ir às putas
   
«Entretanto, o atual presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirmou hoje que é sua intenção completar o seu mandato, que expira em meados de janeiro próximo, “sob qualquer circunstância”, mesmo que deixe de ser, entretanto, ministro das Finanças da Holanda.

Questionado sobre a possibilidade de abandonar mais cedo a presidência do Eurogrupo dada a previsível tomada de posse, em breve, de um novo Governo (e ministro das Finanças) holandês, referiu que o assunto não foi abordado, “e a razão é que não há motivo para o discutir”.

Depois de gracejar com o jornalista que lhe colocou a questão, afirmando que “pelos vistos tem mais informação sobre a chegada de um novo Governo na Holanda” do que ele próprio, Dijsselbloem revelou então que é sua intenção ficar até final do mandato, com ou sem novo ministro das Finanças holandês. “Na situação atual sou ainda ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo. E por falar nisso, é minha intenção, sob qualquer circunstância, completar o meu mandato, que vai até meados de janeiro”, declarou.» [Observador]
   
Parecer:

O lado miserável da Europa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se ao senhor que desempate a loja.»

 O que é feito do teu amigo diabo
   
«Cinco anos e meio depois de, no auge da crise, ter colocado Portugal no nível “lixo” da sua tabela de ratings, a Standard & Poor’s contrariou aquela que era a generalidade das expectativas dos mercados e decidiu esta sexta-feira subir a classificação atribuída ao país para BBB-, o primeiro grau acima de “lixo”.

Pela primeira vez desde Janeiro de 2012, Portugal volta a ter, para além da canadiana DBRS, outra agência a garantir-lhe o grau investimento na sua classificação, algo que pode constituir uma ajuda importante na forma como o país acede ao financiamento dos mercados.

A decisão surpreendeu a grande maioria dos analistas que estava à espera da manutenção de um rating BB+, possivelmente com uma alteração da expectativa de “estável” para "positiva”. A surpresa resulta do facto de geralmente as agências de notação financeira preferirem sinalizar, com a mudança de perspectiva (Outlook), as suas alterações de rating. Por exemplo, antes de subirem um rating, passam a perspectiva de “estável” para “positiva”, dando o sinal de que, dentro de alguns meses, a mudança efectiva da classificação pode vir a acontecer. É raro darem o passo imediato de, com uma perspectiva “estável”, alterarem imediatamente o rating. Tal acontece apenas quando há uma mudança mais inesperada da análise feita ao país.

Foi isto que, aparentemente, aconteceu agora à Standard & Poor’s, que decidiu dispensar qualquer mudança da perspectiva, agindo já com uma subida do rating e antecipando-se às suas concorrentes Moody’s e Fitch, que nos últimos meses passaram a perspectiva de “estável” para “positiva” sem no entanto retirarem Portugal do “lixo”.» [Público]
   
Parecer:

O que será feito do amigo de Passos Coelho?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Licenciado com três exames e um avaliador
   
«Rui Esteves, que se demitiu nesta quinta-feira do cargo de comandante nacional da Protecção Civil (Conac), acabou a licenciatura em Protecção Civil pela Escola Superior Agrária de Castelo Branco em 2009 com a nota final de 13 valores. O percurso académico do agora ex-comandante nacional não é linear e está cheio de particularidades. Uma delas é o facto de só ter começado a licenciatura - que obteve quase na sua totalidade por equivalências - depois de uma lei do Governo de José Sócrates obrigar os comandantes a terem diploma.

A questão da licenciatura nos comandantes da Protecção Civil não é de somenos, uma vez que uma alteração à lei fez com que os membros do comando operacional passassem a ser obrigados a ter curso e tempo de serviço, o que à data provocou alguns problemas, uma vez que muitos dos comandantes operacionais da protecção civil eram sobretudo nomeados pela sua experiência enquanto bombeiros. Aliás, este decreto-lei, elaborado pelo então secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões – que tinha como ministro António Costa –, visava reforçar a estrutura de comando do então Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, que viria a dar lugar à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) nesse mesmo ano, confirmou ao PÚBLICO o então secretário de Estado.» [Público]
   
Parecer:

O homem albardou o burro à vontade do dono e licenciou-se numa "semana".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

sexta-feira, setembro 15, 2017

Como aumentar os salários?

Qual a melhor estratégia para aumentar salários, estimular o crescimento e a criação de empregos ou promover aumentos administrativos de salários?

Para a esquerda conservadora o governo deve aproveitar a folga proporcionada pelo crescimento económico e pela manutenção da austeridade aplicada à classe média, para promover o aumento dos salários através de aumentos salariais no Estado, manipulação dos escalões do IRS ou alterações da lei laboral

Esta tese é a que de certa forma está a ser implementada pela Ordem dos Enfermeiros e pela organização sindical dos juízes portugueses. A lógica é a de correr ao pote enquanto há ainda algum mel para comer. EM vez de cuidar das abelhas há que conseguir a maior parte do mel que se formou.  Não importa se a colmeia não sobreviva, desde que sejamos os primeiros a lambuzar-nos. 

Consumida essa folga acaba-se a possibilidade de fazer qualquer política de distribuição dos rendimentos, os recursos do Estado e da economia já terão sido consumidos pelos que têm maior poder reivindicativo, pelos que estão melhor organizados ou pelos que têm mais poder sobre o governo ou sobre a comunicação social. 

Com a economia a crescer e a mobilizar cada vez mais recursos humanos começam a haver sinais de escassez de trabalhadores para algumas funções. O fato de existirem 9% de trabalhadores à procura de emprego, não significa que para muitas profissões já se sintam problemas de escassez e esses problemas começam a ser um limite ao crescimento de muitas empresas. A solução passa por melhores salários para estimular a procura de emprego nessas profissões.

Se o aumento do desemprego trouxe uma baixa de salários, é natura que o movimento inverso resulte numa pressão no sentido do aumento desses mesmos salários. Com a livre circulação de trabalhadores na Europa e a consequente emigração em busca de empregos melhor remunerados, essa pressão sobre os salários é cada vez maior. Nem todos os novos 2.000 trabalhadores da Autoeuropa estão desempregados, muitos mudarão porque têm melhores condições, os seus atuais patrões terão dificuldades em substituí-los sem melhorarem também as condições que oferecem.

O que é mais inteligente por parte dos sindicatos da esquerda conservadora, matar a galinha de ovos de ouro ou procurar medidas que levem à criação de empregos com melhores salários. Os que estavam convencidos de que mais desemprego favorecia a descida dos salários, esqueceram-se de avaliar o impacto de um crescimento acentuado.

Autárquicas em VRSA: o modelo do PSD

Em autarquias como Vila Real de Santo António a CML, para além de ser o maior empregador e investidor, tem um peso determinante em muitos domínios da sociedade que importam ao desenvolvimento económico. É evidente que nem tudo depende da autarquia, não podemos esquecer a influência do governo da República e a iniciativa das empresas. Mas se a autarquia ignora o seu impacto na economia não poderemos esperar que sejam as empresas a fazer o que o autarca não quer ou que o governo se substitua aos autarcas na vontade de promover o progresso.

Não se pode exigir que um autarca seja um mini ministro da economia, mas num concelho onde o presidente da CM andou nove anos numa pantominice em que saltitava entre os papeis de minis ministro dos assuntos sociais, mini ministro dos negócios estrangeiros e mini ministro da saúde, faz sentido questionar porque nada ligou á economia.

O nosso Maduro algarvio não prestou atenção á economia e deixou que o concelho entrasse em decadência porque adotou outro modelo mais eficaz na perspetiva da sua manutenção do poder e isso permitiu que em dez anos o autarca se deixasse de ser um desconhecido para ser uma espécie de Tony Silva de Vila Real.

Em vez de apostar na economia investiu no espetáculo e nas discotecas de gente finória, ainda que tesos que nem um carapau. Investiu em operações oftalmológicas em Cuba, em carnavais com o castelo branco e outras iniciativas “culturais”, pouco se importando com a decadência económica. Aposta-se na miséria e depois faz-se caridade pública para conseguir os votos dessa miséria agradecida.

Passados dez anos do Luís Gomes e da sua São o concelho está depauperado, sem iniciativas empresariais e transformado num imenso parque de estacionamento pago para tentar iludir a gigantesca dívida que é deixada. Entretanto, deixa-se a São a tirar fotografias a olhar para as dez para as cinco, enquanto se concorre a Castro Marim, talvez porque depois de ser DJ dos Folques tenha descoberto o seu amor ao concelho vizinho.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rui Esteves, doutor tipo Relvas

Este senhor deve ter andando tão embrenhado nos estudos que nem deve ter ouvido as anedotas sobre o Relvas, ainda que quase aposto que fez montanhas de reenvios de e-mails que recebeu com anedotas sobre o desgraçado do Relvas, não aceedito que haja um único cidadão que não o tenha feito. Se eu tivesse uma licenciatura como a do Lic. Rui Esteves teria o cuidado de declinar o convite para Presidente da Proteção Civil, só alguém muito parco de recursos inteletuais pode pensar que tira uma licenciatura fazendo apenas quatro cadeiras e ninguém o denunciaria.

Ainda por cima o senhor não parece ter muito bom senso, depois de tudo o que aconteceu durante este verão e com a Proteção Civil debaixo de fogo o mínimo que deveria ter feito era pedir a demissão, mas esperou pelo anúncio do inquérito. O senhor já deveria ter-se demitido e depois disso apanhava no diploma, emoldurava-o e punha-o na parede, de preferência ao lado de molduras com ações da antiga Torralta, porque valem mais ou menos o mesmo.

Compreende-se que alguém que adquiriu conhecimentos fora da universidade os use quando frequenta uma licenciatura. Por exemplo, se um funcionário do fisco teve de estudar fiscalidade ou auditoria percebe-se que estes conhecimentos possam ser considerados pela universidade que frequente. Mas só faz sentido para dispensa da atividade letiva, isto é, se um estudante prova que adquiriu os conhecimentos numa qualquer outra "encarnação" então que seja dispensado das aulas e autorizado a apresentar-se a exame, como todos os outros. ´esse exame que vai garantir que sabe e que foi avaliado em condições de igualdade com todos os que são portadores do mesmo diploma de licenciatura.

A entrega de diplomas com base em avaliações curriculares é uma aberração que alguém inventou e que está a gerar situações ridículas como a do Miguel relvas e a do agora famoso Comandante da proteção Civil. Para além do mais ridiculariza o ensino universitário português. É de rir à gargalhada ouvir que o Presidente da Proteção Civil tem uma licenciatura em proteção civil tirada numa escola superior agrária onde só fez quatro cadeiras. Imagino que cadeiras terá feito e que modelo de avaliação terá sido adoptado.

Como é que num cargo de tão grande responsabilidade pode estar um tal doutor? Isto é gozar com todos os que estudam a sério.

«O comandante nacional da Protecção Civil (Conac) Rui Esteves é licenciado em Protecção Civil pela Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB). Um diploma que conseguiu quase na sua totalidade através de equivalências. Informação oficial do processo disciplinar do aluno mostra que este fez quatro cadeiras por "avaliação em exame", as restantes 32 unidades curriculares foram feitas por creditação tendo em conta o currículo apresentado, que incluia a experiência profissional e cursos de formação em Portugal e no estrangeiro. Ao PÚBLICO, Rui Esteves diz que fez tudo "em conformidade com a lei vigente" e que pediu equivalências pela formação que fez "ao longo de 30 anos de carreira".

Rui dos Santos Martins Esteves assumiu o cargo de comandante distrital em Castelo Branco em 2005 e um ano depois estava a iniciar uma licenciatura em Protecção Civil no IPCB. Contudo, não só não frequentou a maioria das aulas da licenciatura como não foi avaliado por exame em 90% das unidades curriculares do curso. Ao longo de quatro anos, Rui Esteves apresentou junto do IPCB "pedidos de creditação" tendo em conta as melhorias que ia fazendo ao seu currículo, informou o PÚBLICO fonte oficial daquele instituto. E as melhorias centravam-se na sua experiência enquanto comandante distrital e nas formações na área.» [Público]
 
 Até quando

Em qualquer país civilizado as sucessivas coincidências entre a divulgação de investigações e os atos eleitorais teria sido tratadas como tentativas de golpes de Estado e todos os responsáveis estariam a responder politicamente por estes crimes contra a democracia.

Agora sim que estamos perante uma excelente oportunidade para Marcelo falar sem se esconder atrás de banalidades como o tempo da justiça, bla, bla, bla. A verdade esta simbiose entre os estilhaços do cavaquismo e os restos do MRPP tem feito escola e aprendeu nos tempos em que os golpes de estado eram a norma.

 Sejamos honestos!

«Nenhum caso foi tão longe como este. Em Portugal também ouvimos e lemos, em momentos mais dramáticos, acusações de traição da pátria quando quem está a governar quer esconder informação. Na realidade, o que se está é a ameaçar os interesses do governo instalado na altura. Nunca se chegou ao ponto de processar ninguém mas, no último ano, por exemplo, assistimos ao condicionamento de instituições como o Conselho de Finanças Públicas.» [Observador]

Helena Garrido elabora um artigo de opinião onde começa por descrever o processo movido contra os responsável das estatísticas gregas, que corrigiu em alta o défice das contas gregas. Até aí tudo bem, para quem não conhecia o caso a informação era útil. O problema é quando a jornalista tenta transpor o caso para Portugal, em defesa do Conselho de Finanças Públicas.

A comparação é abusiva, ainda que ideologicamente compreensível, em Portugal há economistas que tentam passar a mensagem de que as suas opiniões são ciência exata e tudo o mais são perigosas ideologias. Enfim, é uma estratégia. Mas neste caso foi pouco inteligente e de mau gosto, comparar alguém que deu provas de rigor estatístico com personalidades que não acertam numa única previsão só merece uma gargalhada.

Alguém devia recordar os erros de previsão de Teodora Cardoso e lembrar à jornalista que se quer comparar a independência das entidades gregas responsáveis pela estatística deve falar do INE.

 Se fosse mais perto ia



 A EMEL

Durante anos a EMEL transformou o bairro onde vivo num inferto, rodeou-o de zonas de estacionamento pago, pelo que todas as pessoas que trabalhavam na zona estacionavam aqui os carros. Há quatro anos a EMEL colocou estcionamento pago em metade do bairro, deixando, muito estranhamente metde do bairro de fora, curiosamente na zona onde uma empresa de aluguer de automóveis ocupava ruas inteiras com as suas viaturas.

Agora e porque as receitas deverão ser escassas, talvez porque as zonas reservadas a moradores não dão lucro, os seus funcionários andam na caça à multa de estacionamento, isto é, as multas do código da estrada, que são mais penalizadoras. Deixei o carro meio metro para além da barra que delimita a zona da passadeira fui multado com uma coisa que vai de 30 a 150€. Mas o senhor que andou à caça à multa foi espertalhão e como não dei pela situação, multou-me novamente no dia seguinte. Imagino que voltaria ao local do crime no dia seguinte, mas tive o cuidado de avisar a EMEL para que o coitado não tivesse de fazer novamente o sacrífício.

Nem no tempo de Passo Coelho vi tanta caça à multa, penalizando um cidadão com duas multas, que pelo seu valor mais baixo correspondem a 10% de um salário mínimo. Isto não é zelar pela qualidade de vida dos cidadãos de Lisboa, para ser prático e direto isto é uma sacanice promovida pelos gestores que a CML colocou na EMEL.

Zelar pela qualidade de vida dos portugueses é não colocar uma paragem de autocarros de turismo junto ás janelas de gabinetes de trabalho, tornando as condições de trabalho quase insuportáveis devido ao ruído e aos gases de escape que entram por janelas de um edifício antigo, junto ao novo cais de paquetes do porto de Lisboa.

Na altura reclamei por e-mail e até hoje não recebi qualquer resposta, sinal que em Lisboa não se responde aos e-mails dos cidadãos mas manda-se o funcionário multar a mesma viatura e pela mesma infração em dias consecutivos. Isto é, a CML não responde aos e-mails dos seus cidadãos, mas na hora da caça à multa há funcionários para se deslocarem á sua porta todos os dias.

Naturalmente vou refletir sobre estas questões, no próximo dia 1 de Outubro, na hora de votar nas eleições autárquicas, já que tratando-se de uma empresa municipal os seus gestores atuam de acordo com as orientações da autarquia e neste caso a autarquia terá dito à EMEL que trate os cidadãos como presas de caça.

Naturalmente enviei um e-mail à EML que reproduzo:

Assunto: Parabéns ao vosso funcionário 897 Gonçalo Barros (processos...)

Exmos. Senhores 

Estacionei de forma introvertida a viatura a pouco mais de meio metro para além da barra que delimita a zona de uma passadeira e pela primeira vez fui multado por causa de uma passadeira, algo que sempre respeitei.

Quero por isso dar os parabéns pelo rigor do vosso funcionário que percebendo que o dono da viatura poderia estar ausente ou não ter reparado na multa decidiu multar uma segunda vez, no dia seguinte. Calculo que o funcionário deve ser poupadinho ou recebeu instruções para poupar nos envelopes pois casualmente reparei que estavam duas multas no envelope. Dou graças a Deus por não estar ausente de Lisboa pois com um funcionário tão zeloso corria um sério risco de ficar sem ordenado, o que me deixa feliz, é um sinal que na Emel as pessoas não precisam de ter qualquer sensibilidade na hora de aplicarem multas.

Esperando que enderecem os meus parabéns ao zeloso funcionário, bem como aos dirigentes que são tão poupados nos envelopes, solicito que me informem se há alguma forma de pagar a multa sem ter que me deslocar aos vossos serviços pois, como devem calcular fiquei com alguma alergia à vossa empresa, vossa ainda que devesse ser de todos.

Aproveito para lhes sugerir que não se esqueçam de dizer ao Gonçalo que não vale a pena voltar ao local para tentar melhorar o seu desempenho profissional pois a viatura já recuou meio metro.

Com os melhores cumprimentos.

      
 Clubes, juízes e jogo rasteiro
   
«Nas eleições autárquicas, a mesma atitude pouco cívica de dois grupos privilegiados. A Liga do futebol profissional marcou vários jogos para o dia em que os cidadãos vão votar pelas suas cidades e aldeias. Seria de esperar de clubes beneficiando do estatuto de interesse público que não distraíssem os eleitores da sua obrigação. Mas, não, os jogos serão feitos. Diz a Liga, manhosa, estar "convicta de que os portugueses têm plena noção dos seus deveres e responsabilidades cívicas". E acrescenta a Liga, sonsa: "Razão pela qual a lei não prevê qualquer proibição de atividades desportivas em datas eleitorais." Como se a Liga não devesse concluir que talvez não haja proibição legal porque se pensou que lidava com gente responsável. Pelos vistos, pensou-se e mal: estava-se a lidar com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Quem faz as leis que tire as devidas conclusões... E por falar em leis, dos juízes que a aplicam, outra atitude incivil. Vão fazer uma greve que prejudica as eleições. Diz o sindicato deles, sorna: "Não vai haver nenhuma perturbação muito sensível..." Haverá, então, alguma e talvez pouco sensível. Quanto? Diz o sindicato, finório, que a greve "apenas implicará o adiamento por um dia" de uma qualquer pouca coisa. Um dia só e pouco, pois. Mas muito para os únicos profissionais que são independentes de tudo e inamovíveis e com o poder de decisão acima de qualquer autoridade. Têm o absoluto, esperava-se deles o mesmo.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
  
 Hospedeiras velhinhas
   
«Na origem da iniciativa do grupo parlamentar do PS está o facto de "a maioria dos concursos de recrutamento da TAP" discriminarem "o acesso aos postos de trabalho em função da idade, colocando como condição de admissão uma idade máxima do candidato ao posto de trabalho".

"Os últimos concursos abertos pela TAP para recrutamento de Especialista de Engenharia, para a área de Manutenção e Engenharia, estipulavam como idade máxima de acesso os 30 anos ou os 35 anos em caso de experiência profissional relevante", avança, apontando ainda um outro caso, no recrutamento de Pessoal Navegante de Cabine (comissários ou assistentes de bordo), em que "a TAP requereu que os candidatos a estes postos de trabalho tivessem entre os 21 e os 26 anos".

"Os exemplos sucedem-se e o Grupo Parlamentar do Partido Socialista recebeu várias denúncias com os respetivos anúncios para diferentes funções, não os considerando aceitáveis ao excluírem uma larga franja da população", sustentam os deputados do PS.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Um dia destes vamos ter hospedeiras de bordo estagiárias da TAP a andarem apoiadas num cajado?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Haja juízo.»