segunda-feira, novembro 20, 2017

Ó Dom Manuel!

O Dom Manuel Clemente anda mesmo desastrado, há uns dias atrás disse-nos que "a realidade, também a natural e meteorológica, tem vários níveis de compreensão" acrescentando que "à ciência compete a primeira explicação, a partir da observação e interpretação correta dos fenómenos", mas "a natureza admite ainda interrogações mais profundas, que sondem o sentido último das coisas, para além do seu mero acontecer".

Toda esta reflexão para pedir” aos irmãos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa que, quando a Liturgia diária o permita, celebrem a Missa para Diversas Necessidades, com a prevista Oração Coleta”, isto é, sugere que em resposta ao pedido “Oremos”, os paroquianos rezem a oração da chuva que sugere «Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu.”

O que não entendo é qual a relação entre o sucesso desta oração e a orientação sexual de quem a manda rezar. Digo isto porque o mesmo Dom Manuel Clemente, talvez porque a seca persiste apesar das suas orações veio agora opinar que os homossexuais devem ser impedidos de entrar nos seminários, o que sugere algumas interrogações.

Como é que Dom Clemente consegue distinguir um celibatário homossexual de um celibatário heterossexual? O que será mais grave para Dom Manuel, um seminarista homossexual que respeita o celibato ou o padre heterossexual que anda metido nos lençóis da vizinha.

Mas o problema do Dom Clemente não parece ser o pecado, diz o prelado que a presença de um homossexual num seminário cria uma situação melindrosa. Não explica muito bem qual a situação melindrosa a que se refere mas acrescenta quês” se a pessoa tiver uma orientação forte nesse sentido é melhor não criar a ocasião". Isto é, a situação melindrosa resulta de uma velha máxima segundo a qual a ocasião faz o ladrão. Isto é os abusos sexuais ou as situações de homossexualidade entre seminaristas ou entre padres resulta da entrada de maçãs podres nos seminários.

Parece que o Dom Manuel percebe tanto de chuva como de sexualidade.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
António Saraiva, presidente da CIP

O presidente da CIP usou uma entrevista à Antena 1 para fazer ameaças sobre o governo para conseguir aquilo a que designou por "fazer valer os direitos dos patrões", queixa-se de que o OE só tem medidas em favor dos trabalhadores. Provavelmente quer que a cada reposição de direitos dos trabalhadores os patrões recebam uma benesse.

Quando o governo de Passos lhe deu os duas de trabalho em feriados eliminados sem qualquer compensação salarial o Saraiva não se queixou. Quando foram tirados direitos laborais aos trabalhadores em defesa da criação de emprego que a CIP não criou, o Saraiva não fez ameaças. Agora faz ameaças porque elle acha que os patrões devem ter benesses orçamentais especiais.

É pena que o senhor António Saraiva não perceba que o OE é do Estado e não das empresas e tanto quanto se sabe os patrões que ele representa foram os únicos a beneficiar de reduções de impostos e parte delas financiadas pro aumentos dos impostos sobre o trabalho.
 

domingo, novembro 19, 2017

SEMANADA

Quem não chora não mama e o campeão nacional do choro é Mário Nogueira. Contando com o apoio do BE e do PCP e com a simpatia do CDS e do PSD, o sindicalista da FENPROF conseguiu mais uma exceção para os professores. Não tendo sido capaz de fazer uma abordagem global da austeridade que foi imposta aos funcionários públicos, o governo tem vindo a gerir a reposição da justiça em função das metas do OE, cedendo apenas aos que t~em mais poder reivindicativo.

A direita ficou muito excitada porque o PSD e o CDS subiram nas sondagens, desde os incêndios de Julho e depois de todas as desgraças que sucederam, o PSD teve uma grande “subida” entre Julho e  novembro, passou de 28,6% para 28,4%. Mas que grande subida, com aumentos destes ainda vão formar governo daqui a três ou quatro legislaturas.

A luta pela liderança do PSD começa a ser deprimente, os dois candidatos além de serem de uma pobreza deprimente e matéria de ideias, em vez de estarem a afirmar no que são diferentes, parecem ter optado por concorrerem um com o outro afirmando-se cada um deles como o mais semelhante a Passos Coelho. Rui Rio tenta exibir o intelectual que não é e Santana faz um grande esforço para se mostrar sério.

Já tinha acontecido com o negócio dos submarinos, quando a justiça alemã concluiu que tinha havido corrupção e em Portugal foi tudo arquivado e alguns intervenientes no negócio voltaram a ser governantes. Agora foi a OLAF que concluiu ter existido fraude nos negócios da Tecnoforma de Passos e Relvas, enquanto por cá o MP arquivou o processa na calada de uma noite do passado mês de setembro. Apesar de tudo o que se escreve, desta vez a PGR não se apressou a emitir comunicados a explicar o que fez, nem mandou nenhuma procuradora adjunta a um programa de televisão.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Pires de Lima, senhor das taxas e taxinhas

Sem incêndios, assaltos ou novos surtos de legionela e com as eleições no PSD a perderem interesse, consequência da má qualidade dos candidatos, resta oas jornais irem em busca de tralha para fazerem notícias. O Expresso lembrou-se do Pires de Lima, já que o Portas desapareceu, a Cristas pouco diz, o jornal decidiu ocupar as linhas com o ex-ministro das Economia, de quem já ninguém se recordava nem sentia a falta.

O senhor das taxas e taxinhas, de quem já quase ninguém se lembrava desde que o Portas desapareceu, decidiu ressuscitar para defender um acordo entre três partido para estabilizar a fiscalidade das empresas. É uma pena que no passado não tenha andado tão preocupado com acordos, principalmente quando estava em causa a estabilidade dos rendimentos de quem trabalha.

Mas o pobre homem deve ter estado sem ler as notícias, em Portugal o chamado arco da governação, tão defendido pelo CDS porque lhe garantia o acxesso ao poder, morreu, agora todos os que representam os portugueses no parlamento t~em o direito de participar nas decisões.

«a primeira grande entrevista que dá desde que saiu do Governo, António Pires de Lima defende as vantagens de um acordo alargado para dar "previsibilidade" à carga fiscal que pesa sobre as empresas. Criticando as permanentes alterações que têm sido introduzidas nos impostos sobre as empresas - no IRC, mas não só -, Pires de Lima lamenta esta instabilidade, que afasta potenciais investidores, e considera que o sucessivo agravamento de impostos e taxas é o contrário do que Portugal precisa para conquistar investimento direto estrangeiro.

"Em vez de se estar a fazer uma trajetória de redução da carga fiscal das empresas está-se a aumentar essa carga fiscal", nota o antigo ministro da Economia, elencando as alterações desgarradas que já foram introduzidas pelo atual Executivo - desde a suspensão da redução prevista para o IRC, em 2015, até o aumento da derrama do IRC para empresas com lucros mais altos. A consequência, diz, é tornar o país menos confiável para os investidores.

Contra esta "volatilidade", o ex-dirigente do CDS propõe "uma conjugação de esforços entre os partidos que apoiam esta solução governativa, nomeadamente o PS, e os partidos da oposição, para que Portugal [tenha] uma trajetória de destino previsível, se não até mais atrativo do ponto de vista fiscal, para o investimento." Um entendimento que considera tão necessário como os consensos que António Costa pediu em relação ao próximo quadro de fundos europeus e ao investimento em infraestruturas.» [Expresso]

 Mentiroso

Há gente neste país que pensa que a boca foi feita para mentir, é o caso do antigo redator da Voz do Povo, hoje o responsável pela comunicação da extrema-direita chique. Vejamos o que escreve o Fernandes:

«Os professores pedem progressões automáticas como as de outros funcionários públicos, mas nem sabem como tal é injusto quando pensamos no mundo real e não protegido dos trabalhadores do sector privado» [Observador]

Fernandes tenta passar a imagem dos funcionários públicos favorecidos porque, ao contrário dos trabalhadores do privado, progridem na carreira. O Fernandes mente, confunde progressão com antiguidade, algo que em todo o mundo favorece quem trabalha.

Fernandes mente porque na maioria das carreiras do Estado a progressão não é automática, est´+a sujeita a vagas e a tempos mínimos e a concursos. ora, no setor privado nada disto existe e há também diferentes categorias. Aliás, há uma outra coisa que não existe no Estado, os prémios e outras benesses. É tempo de responder a estes ideólogos trambiqueiros da extrema-direita chiquye, que passam o tempo a propagar mentiras.

 A Belinha criou muitos empregos

Para se justificar a Belinha, filha do Eduardo dos Santos, disse que criou 40.000 empregos. Se eu tivesse as centenas de milhões que ela tem e que juntou a partir do nada, também teria feito o favor a Angola de criar 40.000 empregos. Nada mau, ter ficado rica e ainda contar com tanta gente a trabalhar para aumentar os meus lucros. Obrigadinho ó Belinha.

      
 A coisa está a ficar preta
   
«O diretor nacional do Tesouro angolano, Edson Vaz, foi detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Angola, no âmbito de uma investigação policial a alegados desvios de verbas do Estado através de contratos celebrados com empresas fictícias.

De acordo com a notícia publicada hoje pelo jornal angolano “O País”, Edson Vaz foi detido pelo elementos do SIC na sexta-feira ao final da tarde, numa investigação que o implica em “pagamentos a empresas que não terão prestado serviços ao Estado, sobretudo no domínio das Obras Públicas”.» [Obsevador]
   
Parecer:

Depois das demissões, as prisões.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Desenhador original
   

«"Foi um ato irresponsável e imaturo", disse a Marinha norte-americana, que suspendeu o piloto

Um piloto da Marinha norte-americana usou o rasto de condensação de um avião de guerra para fazer um desenho no céu. Só que não foi um desenho qualquer, foi o desenho de um pénis gigante, o que deixou a população surpreendida e obrigou a um pedido de desculpas.

A brincadeira foi feita nos céus de Okanogan, no estado de Washington, na quinta-feira, a bordo de um Boeing E/A-18 Growler, e foi imediatamente reproduzida nas redes sociais.» [DN]
   
Parecer:

Se a moda pega andamos todos a olhar para o céu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

sábado, novembro 18, 2017

A BELINHA BOA E A BELINHA PÉRFIDA

Vale a pena ver a excitação que por aí vai com a perda de influência de Isabel dos Santos. Mas não deixa de ser curioso como se ignora as ligações portuguesas de Isabel dos Santos, personalidades e grupos financeiros que têm beneficiado e ajudado ao enriquecimento acelerado da filha mais velha do até há pouco tempo ditador de Angola.

Basta olhar para as personalidades que servem os interesses financeiros e empresariais de Isabel dos Santos em Portugal, mais os grupos empresariais que por cá estão associados aos investimentos para percebermos que a Belinha é um polvo cujos tentáculos não estão todos à vista. 

Um bom exemplo dos sócios locais da filha do ditador angolano é a SONAE, cujos líderes são uma espécie de flores de cheiro em matéria de honestidade empresarial, basta ver a forma como se referem a políticos, governos ou entidades públicas. Ainda há poucos dias, numa tentativa de influenciar as decisões das autoridades o Azevedo Jr veio dizer que o caso da compra da TVI pela Altice era bem mais grave do que o Caso Marquês, caso em que o mesmo Belmirinho se envolveu quando julgou que já não corria riscos. Como é que se compatibilizam estea valores da SONAE para consumo interno com uma aliança empresarial duvidosa?

Se juntarmos os políticos portugueses ligados aos sócios da Belinha em Portugal temos um quase governo com um grande apoio parlamentar e televisivo. Se somarmos, por exemplo, os amigos da SONAE com os do Grupo Amorim temos um movimento bem mais forte do que a Maçonaria ou a Opus Dei, uma coligação capaz de impor ou de derrubar governos.

Portanto, é bom não esquecer que a queda da Belinha em Angola pode ter custos muito elevados para os interesses portugueses, um preço a pagar pela aposta que os empresários portugueses fizeram na corrupção e nos jogos menos transparentes, como se já viu com o setor bancário. EM Angola a Belinha aparece associada a portugueses e talvez mereça a pena voltar a ler o texto do discurso de posse do atual presidente angolano, que ignorou Portugal quando enumerou os países que considera parceiros estratégicos.

Não há duas Belinha, uma angolana, sinistra, perigosa, corrupta e pérfida e uma Belinha portuguesa, uma empresárias tão exemplar e honesta como os Belmiros, tão dinâmica como o Mira Amaral ou tão humilde no trato como Teixeira dos Santos, para referir dois dirigentes recentes do Banco BIC

Só há uma Belinha, a Belinha de Luanda é a mesma que a Belinha de Lisboa, os métodos são os mesmos, as relações que estabelece com os meios políticos são as mesmas, o modelo de enriquecimento é o mesmo. Não é porque se enriquece em Angola e se aplica o dinheiro em Portugal que a torna noutra Belinha. 

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Mário Centeno, ministro das Finanças.

Não percebi muito bem a quem se refere Mário Centeno que "Aprendemos da forma mais difícil que todos temos de saber merecer", até porque há coisas elementares que todos os portugueses conhecem, não precisando de um educador. Já agora, quem não precisou muito de aprender foram os funcionários do Banco de Portugal, se bem me lembro o governante encarregado de lixar os funcionários públicos era um rapazola de nome Hélder Rosalino que ao mesmo tempo que escravizava a Função Pública alterava o estatuto dos seus colegas do Banco de Portugal, pondo-os a salvo de todas as medidas de austeridade aplicadas no Estado.

Se Mário Centeno se refere aos que beneficiaram da ilha do BdP  como precisando de aprender umas coisas é bem capaz de ter razão.

«ministro das Finanças escolheu abrir a sessão no hemiciclo, esta manhã, falando do elefante na sala: o descongelamento das carreiras na função pública, particularmente no caso dos professores. Mário Centeno tomou a palavra no debate da especialidade para citar António Costa, lembrando que o Governo veio pôr o "cronómetro" a contar de novo, e deixar recado: "Aprendemos da forma mais difícil que todos temos de saber merecer".

Depois das notícias que esta madrugada indicavam que o Governo poderia recuperar os anos perdidos para a contagem da carreira dos docentes ainda neste Orçamento, Mário Centeno veio assegurar, sem dar novidades, que o Governo leva o assunto "muito a sério" e lembrar que o Executivo está a "recorrer às regras próprias de cada carreira" e que "47% dos professores vão progredir e mais de 7 mil recém-contratados vão ser colocados nos escalões", com um impacto orçamental de 115 milhões de euros.

O ministro defendeu que o descongelamento "merece natural destaque na política orçamental" do próximo ano, lembrando que "a diversidade na função pública é muito significativa". "O descongelamento é um processo complexo e desde cedo foi claro que valores não seriam compatíveis com processo que ocorresse num só ano", recordou, acrescentando que o pagamento dos aumentos que forem devidos graças ao descongelamento será "realizado em três anos".» [Expresso]

 Ele sempre foi um beijoqueiro



Mas há velhinhas e velhinhas.

 Só meio pontito?



Note-se que o PSD sobe 0,4% depois de ter descido 0,7% no mês anterior. Em relação a Agosto, antes de todos os incidentes que animaram a direita, o PSD sobe apenas 1,3%, uma variação que pode ser consideado pouco mais do que simbólica.


Nem os a legionela, nem os candidato à liderança aumentam a confiança no PSD:

 Azar

Anda tanta agente a defender os carvalhos contra os eucaliptos, mais parecendo que os carvalhos são de esquerda ou do Benfica e que os eucaliptos são de direita e do Porto, que ninguém reparou que o incêndio de Pedrógão Grande foi muito provavelmente causado por um belo carvalho.

Mas os nossos assanhados jornalistas desta vez ficara a ronronar, ninguém questionou a REN sobre a razão porque não cuida das linhas eléctricas. 

      
 Desta vez o Estado está ausente
   
«A empresa da brasileira, que viajou para Portugal há 17 anos, ofereceu-se para pagar a trasladação do corpo de Lisboa para o Brasil. Esta quinta-feira, a mãe de 'Nice', como era conhecida a vítima, afirmou à Globo que a família não tinha posses para o fazer. "Eu queria que me trouxessem ela, já que a culpa é deles, que a culpa é do Governo, do Estado, que eles me mandassem a filha", lamentou Maria Luzia da Costa.

Agora tudo mudou. "A empresa que é dona do café do aeroporto, onde trabalhava a 'Nice', vai pagar estas despesas", revela ao Expresso a tia materna, Célia da Costa, visivelmente satisfeita. Trata-se do Grupo Moiagest.» [Expresso]
   
Parecer:

Quem matou a mulher foi um agente ao serviço do Estado e este tem a obrigação de assumir as despesas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a opinião ao Presidente Marcelo.»